A costura, tradicionalmente vista como uma atividade feminina, está passando por uma reinterpretação significativa, com muitos homens se aventurando nesse ofício. O fenômeno, intensificado pela pandemia de COVID-19, trouxe à tona uma nova cultura de moda, onde os homens estão não apenas aprendendo a costurar, mas também desafiando os estereótipos de gênero associados a essa habilidade.
A crescente popularidade da costura masculina
Durante a pandemia, um número notável de pessoas, incluindo muitos homens, começou a explorar o artesanato, como a costura e o tricô. Essa tendência, que inicialmente surgiu em resposta ao confinamento, tem se mantido forte mesmo após o relaxamento das medidas de isolamento. Essa transformação desafia a narrativa dominante de masculinidade que frequentemente exclui atividades como a costura. Em lugares como a Austrália rural, onde a pressão para se conformar a normas tradicionais é alta, essa mudança é ainda mais notável.
Investigações recentes indicam que essa nova onda de costura não é uma mera tentativa de homens se distanciarem de identidades masculinas tradicionais em busca de aprovação feminina, mas sim um reflexo de um grupo diverso de homens genuinamente apaixonados por moda e estética. Grupos de costura masculinos têm surgido em várias partes do mundo, promovendo não apenas a prática da costura, mas também servindo como uma forma de cuidar da saúde mental e de criar laços comunitários.
Geração Z e a personalização do estilo
A geração Z, em particular, não hesita em expressar sua individualidade através da moda. Em vez de se submeter a tendências importadas das passarelas, esses jovens homens utilizam plataformas como TikTok e Instagram para compartilhar suas criações e influenciar outros, criando uma rede crescente de costureiros por todo o mundo. Essa onda tem sido ligada a uma maior consciência sobre questões de sustentabilidade e consumo excessivo, fazendo da costura uma ferramenta não apenas de estilo, mas de responsabilidade social.
Influências históricas na costura masculina
Embora a costura tenha sido vista como uma atividade feminina em muitos contextos, a história mostra que profissões como a alfaiataria sempre foram socialmente aceitáveis para homens. Em culturas como a do Paquistão e da Coreia do Sul, a costura masculina é respeitada e valorizada. Em Londres, por exemplo, a Savile Row, famosa por suas casas de alfaiataria masculina, é um marco desse legado, vestindo figuras icônicas de royal a celebridades por quase 200 anos.
Na Austrália, figuras proeminentes na indústria da moda, como os fundadores da marca Rip Curl, foram inspirados por uma cultura que envolve estilos de vida, como o surf, que promovem uma conexão mais próxima com a fabricação de roupas. Designers australianos contemporâneos, como Christopher Esber e Toni Maticevski, continuam a incorporar práticas tradicionais de alfaiataria em seus trabalhos, mostrando que a costura e o design são campos em constante evolução, que podem unir tradição e inovação.
Como a história das mulheres moldou a percepção da costura
A trajetória da costura feminina é longa e significativa. Na Austrália, cerca de 77% dos profissionais no setor da moda são mulheres, um legado que remonta ao século 19, quando a costura doméstica se tornou uma prática comum. Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas mulheres foram capacitadas a confeccionar suas próprias roupas devido às restrições econômicas, reforçando a ideia de que a costura era um trabalho “simples” adequado para elas, apesar de sua complexidade.
A queda na costura local entre as décadas de 1970 e 1990, devido à concorrência com a moda rápida, marginalizou ainda mais a prática. No entanto, a recente revalorização do trabalho manual está trazendo os homens de volta às máquinas de costura, desafiando preconceitos antigos e incentivando uma nova geração a aprender e se expressar por meio da costura.
Como começar na costura
Se você está interessado em aprender costura como um hobby, não se preocupe com a compra de uma máquina sofisticada. Um modelo simples que costura linhas retas é suficiente. Você pode até já ter uma guardada em casa. Recomenda-se começar com projetos simples de reaproveitamento antes de se aventurar em confeccionar peças do zero.
Se não houver aulas presenciais disponíveis na sua região, considere aprender online. Um estudo recente mostrou que cerca de 48% da geração Z aprendeu uma nova habilidade através do TikTok, e 42% pelo YouTube. Plataformas como essas oferecem um recurso valioso para quem quer iniciar essa atividade manual.
Portanto, quem sabe você não vira o próximo ícone da moda, como Christian Dior ou Cristóbal Balenciaga? O importante é a prática e a busca pela satisfação pessoal nesse desafio.

