Uma aposta feita na plataforma de criptomoedas Polymarket, que movimentou cerca de US$ 32.537 (R$ 175 mil), resultou em um ganho de mais de US$ 436 mil (R$ 2,3 milhões) pouco antes de o governo americano anunciar oficialmente a detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O fato ocorreu na noite de sábado (3/1), momentos antes de Donald Trump divulgar na rede social Truth Social que Maduro estaria sob custódia dos EUA.
Suspeitas de operação com informação privilegiada
A aposta foi realizada por uma conta anônima, que utilizava um identificador de blockchain, tecnologia de registros digitais descentralizados, composta por letras e números. Segundo dados da Polymarket, as chances de saída de Maduro tinham estimativas de apenas 6,5% na tarde de sexta-feira (2/1). Contudo, viraram para 11% pouco antes da meia-noite e subiram ainda mais nas horas seguintes, indicando uma mudança repentina de expectativas pouco antes do anúncio oficial.
Questões sobre regulamentação e ética
Especialistas acreditam que a aposta em questão apresenta características de negociação baseada em informação privilegiada, uma prática ilegal no mercado de ações, mas com menor fiscalização nos mercados de previsão, como o da Polymarket. “Essa aposta tem todas as características de uma negociação baseada em informação privilegiada”, afirmou Dennis Kelleher, diretor-executivo da Better Markets à CBS, parceira da BBC nos EUA.
Alguns representantes do Congresso já começaram a agir, como o deputado Ritchie Torres, que apresentou um projeto de lei para proibir que funcionários do governo façam negociações em plataformas de previsão com acesso a informações relevantes não públicas.
Regulação e impacto no mercado de apostas
Nos Estados Unidos, mercados de previsão vêm crescendo em popularidade, permitindo apostas sobre uma vasta gama de assuntos, incluindo política e esportes. Empresas como Polymarket e Kalshi atraíram milhões de dólares em apostas, inclusive sobre a eleição presidencial de 2024. No entanto, a ausência de regulações rígidas levantou dúvidas sobre a prática, principalmente em relação ao uso de informações privilegiadas.
Segundo um porta-voz da Kalshi, a plataforma proíbe explicitamente qualquer tipo de negociação baseada em informações privilegiadas, incluindo a participação de funcionários públicos em apostas relacionadas a atividades do governo.
Impulsos políticos e controvérsias
Filho do ex-presidente Donald Trump, Donald Trump Jr., atua em funções de consultoria na Kalshi e na Polymarket, refletindo a complexidade e as controvérsias que envolvem o setor. O caso gerou repercussões sobre a ética e a fiscalização dessas plataformas, que, apesar de terem ganho maior circulação sob o governo Trump, passam a ser alvo de maior atenção após a descoberta da aposta milionária.
A situação levanta questionamentos sobre o potencial uso de informações privilegiadas para ganho financeiro no setor de apostas, além de reforçar a necessidade de regulamentações mais rigorosas para esse mercado emergente.
Mais detalhes sobre esse caso e os desdobramentos podem ser acompanhados no artigo completo do g1.


