O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (6) que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia está bem encaminhado. Segundo ele, o Brasil mantém uma postura otimista quanto à conclusão das negociações, que representam um avanço de mais de duas décadas de dedicação.
Adiamento e obstáculos na assinatura
A assinatura do tratado, inicialmente prevista para dezembro durante a cúpula do Mercosul, foi adiada devido à falta de consenso entre os países europeus. As resistências principais vieram de uma ala conservadora da Itália e de agricultores franceses, que pressionaram seus governos contra o avanço do acordo. O adiamento foi anunciado em dezembro passado.
Até o momento, o principal entrave é a posição do presidente francês, Emmanuel Macron, que declarou que a França não apoiará o tratado sem novas salvaguardas para proteger seus produtores rurais. A França se mantém como o ponto de maior resistência no bloco europeu.
Apesar disso, a Comissão Europeia informou na semana passada que houve avanços nas negociações. Ainda assim, não há uma confirmação oficial para a assinatura do documento, que depende de aprovações internas tanto na Europa quanto no Brasil.
Próximos passos e etapas finais
Após a assinatura, o acordo precisará passar por diversas etapas formais. No Brasil, o texto deverá ser analisado e votado pelo Congresso Nacional, enquanto na União Europeia o aval do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu será necessário, além da ratificação pelos parlamentos nacionais dos 27 países-membros.
Importância estratégica e perspectivas futuras
Em entrevista após divulgar os resultados da balança comercial de 2025, Alckmin destacou a relevância estratégica do tratado em um cenário internacional influenciado por conflitos, instabilidade e protecionismo. Segundo ele, o acordo Mercosul–UE tende a se tornar o maior do mundo, fortalecendo o multilateralismo e o livre comércio.
O vice-presidente ressaltou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é priorizar o diálogo e a negociação, buscando ampliar parcerias internacionais em 2026, como o tratado entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos, além de ampliar as preferências tarifárias com Índia, México e Canadá.
Alckmin também comentou o desempenho do comércio exterior brasileiro, destacando que as exportações cresceram 5,7% em 2025 — mais que o dobro do crescimento estimado para o comércio global, de 2,4%, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). A Argentina foi o principal parceiro comprador dos produtos brasileiros no ano passado, com uma alta de 31,4%, impulsionada principalmente pelo setor automotivo.
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