Mais de duas décadas após um dos crimes mais perturbadores da história recente dos Estados Unidos, o caso de Andrea Yates, que afogou seus cinco filhos na banheira, é reexaminado na série documental The Cult Behind the Killer: The Andrea Yates Story. Disponível na HBO Max a partir de 6 de janeiro, a produção analisa detalhes de registros judiciais e históricos médicos, destacando as crenças que a família Yates seguia antes da tragédia.
O impacto do culto e suas influências na tragédia de Andrea Yates
A série conta com participações de Rusty Yates, ex-marido de Andrea, e ex-seguidores do pregador Michael Woroniecki. Estes descrevem um conjunto de ensinamentos pautados por doutrinas rígidas, medo e isolamento, que, segundo eles, podem ter agravado a sofrimento mental de Andrea antes do crime. Os realizadores tentaram contato com Woroniecki, que afirmou não ser culpado pelos atos de Yates, e com sua esposa Rachel Woroniecki, mas ambos não responderam aos pedidos de participação.
A tragédia de 20 de junho de 2001
Na manhã daquele dia, em Clear Lake, bairro de Houston, Andrea Yates matou seus filhos Noah, John, Paul, Luke e Mary, de idades entre seis meses e sete anos, afogando-os na banheira da casa. Após o crime, ela ligou para o 911 e confessou. Quando a polícia chegou, Andrea, com cabelo e roupa molhados, afirmou calmamente: “Eu matei meus filhos”.
Dentro da residência, uma criança foi encontrada na banheira e as outras sob um cobertor no quarto principal. Os investigadores não encontraram sinais de luta e concluíram que Andrea agiu sozinha, entre a saída do marido para o trabalho e a chegada prevista da sogra. Ela foi presa logo após a descoberta.
Quem era Andrea Yates e seu envolvimento com o cult
Nascida Andrea Kennedy em 2 de julho de 1964, em Houston, Texas, Andrea era a caçula de cinco irmãos, vivendo uma infância considerada estável, com bom desempenho acadêmico e formação como enfermeira em 1986. Trabalhou por anos em um centro de câncer, construindo uma carreira estruturada e responsável.
Aos 25 anos, ela conheceu Rusty Yates, seu futuro marido, com quem se casou em 1993. Após o casamento, deixou a profissão para se dedicar à vida familiar e à prática religiosa, que se intensificou desde então. Entre 1994 e 2000, tiveram cinco filhos.
A influência do pregador Michael Woroniecki
Rusty era seguidor de Woroniecki, conhecido por viajar a universidades e eventos para divulgar seus ensinamentos. Ex-seguidores, que se identificam como “sobreviventes”, alegam que Woroniecki exercia controle por meio de sermões, cartas manuscritas e fitas cassete enviadas pelos correios, impondo-se como autoridade espiritual.
Moses Storm, um de seus ex-seguidores entrevistados na série, afirma que a cobertura midiática muitas vezes ignora um elemento crucial da história: a influência do próprio Woroniecki. “Quando vejo notícias e documentários sobre Andrea Yates, sinto que falta uma parte fundamental: Michael Woroniecki”, diz. Ele descreve Woroniecki como seu mestre espiritual, cuja mensagem envolvia o temor do julgamento final, com a previsão de que o mundo terminaria em 46 minutos, uma doutrina extremamente intensificada.
Perspectivas futuras
A série documenta a forte influência de um culto religioso rígido e mostra como suas doutrinas podem ter contribuído para o transtorno mental de Andrea Yates, levando ao trágico episódio. A produção busca ampliar a compreensão sobre fatores sociais e religiosos que envolvem casos de violência familiar, além de questionar os limites da influência de líderes espirituais na vida de seus seguidores.
Assista ao documentário The Cult Behind the Killer: The Andrea Yates Story na HBO Max a partir de 6 de janeiro, e conheça os detalhes que o tempo e as investigações ainda estão revelando sobre esse caso emblemático.

