Nos últimos dias de dezembro, um produtor rural de Guapiara, interior de São Paulo, fez um descarte lamentável de uma carga de tomates. O episódio, registrado em meio a um cenário de excessiva produção e os impactos das altas temperaturas, foi confirmado após a prefeitura recolher quilos de tomates jogados de forma irregular no Mirante da Torre. O responsável pelo despejo permanece desconhecido e a situação reflete um problema maior enfrentado pelos agricultores da região.
Calor intenso agrava a produção agrícola
De acordo com o Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), a média da temperatura máxima em Guapiara em dezembro de 2025 foi alarmante, atingindo 29,4 graus. Esse índice é dois graus superior ao registrado em dezembro do ano anterior e também ultrapassa a média dos últimos dez anos, que é de 26 graus. O calor excessivo acelerou o amadurecimento dos tomates, resultando em uma colheita concentrada num espaço curto de tempo.
Tiago Domingues de Oliveira, que cultiva tomates há nove anos na Fazenda Gabiroba, relatou que este clima intenso causou um alto nível de perdas. Ele explicou: “Não foi o que a gente esperava, muito calor demais. E aconteceu a perda da mercadoria, queimando, amadurecendo demais.” Em 2024, o produtor já havia enfrentado prejuízos significativos, perdendo cerca de quatro mil caixas de tomates devido ao calor extremo.
A necessidade de antecipar a colheita
As altas temperaturas novamente despertaram preocupações entre os produtores. Apesar de não haver perdas diretas na última safra, Tiago precisou antecipar a colheita, que estava inicialmente programada para começar entre os dias 10 e 15 de janeiro, e foi adiantada para o dia 27 de dezembro. Essa mudança teve como objetivo evitar perdas causadas pelo amadurecimento acelerado dos frutos.
Outro produtor, Roque Aleixo dos Santos, que cultiva cerca de cinco mil pés de tomate italiano, também sentiu os efeitos do calor. Com mais de 50 anos de experiência, Roque reportou que o clima adverso impactou tanto a produção quanto o preço de mercado de seus produtos. “O produto é bem aceito na região, mas também sofreu impacto das altas temperaturas”, comentou.
Impactos no mercado e na economia local
Os efeitos climáticos não afetam apenas a produção, mas também o mercado. Com a aceleração do amadurecimento, muitos tomates ficam prontos ao mesmo tempo, o que aumenta a oferta e, consequentemente, derruba os preços pagos aos produtores. “Nós temos os produtores que estão terminando a safra e novos que estão iniciando. O produto vai ter de forma constante; eles vão ficar um pouco mais altos agora, mas nada que afete o consumidor”, explicou Tiago.
No final de dezembro e início de janeiro, o custo médio para produzir uma caixa de tomate de 20 quilos foi em torno de 50 reais. Contudo, os preços pagos pelo mercado caíram para cerca de 40 reais por caixa, gerando um prejuízo médio de 10 reais para os agricultores. Dados do IBGE revelam que a região sudoeste paulista produziu, em 2025, aproximadamente 133 mil toneladas de tomates apenas em Itapeva. Outros municípios, como Ribeirão Branco e Apiaí, também contribuíram com mais de 56 mil e 53 mil toneladas, respectivamente.
A situação em Guapiara expõe a fragilidade da produção agrícola frente a variáveis climáticas e a necessidade urgente de estratégias que ajudem os produtores a enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. À medida que as temperaturas continuam a subir, muitos agricultores temem por novas perdas e novas dificuldades no mercado, pedindo por atenção e soluções para garantir a sustentabilidade de suas produções.
Embora os consumidores não sintam os efeitos imediatos da situação, a realidade por trás dos produtos à mesa é complexa e preocupante. É fundamental que ações sejam tomadas para apoiar os agricultores e garantir uma produção alimentar estável e saudável para todos.
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