Um recente caso de golpe virtual tem gerado preocupação entre os usuários de serviços digitais no Brasil. Um idoso foi alvo de uma fraude onde a inteligência artificial foi utilizada para simular a imagem do famoso apresentador Luís Ricardo, do SBT. O resultado foi um prejuízo de cerca de R$ 20 mil, levando a vítima a registrar um boletim de ocorrência e processar o banco digital PicPay.
Como o golpe aconteceu
A vítima, um aposentado, recebeu uma chamada de vídeo em que um homem, com uma aparência idêntica à de Luís Ricardo, fazia a divulgação de um prêmio de R$ 100 mil relacionado à Tele Sena. Na conversa, o golpista adota um tom de programa de auditório e questiona o que o idoso faria com o prêmio, além de solicitar os dados bancários da vítima para realizar o suposto depósito.
Sem desconfiar da armadilha, o idoso acatou as instruções do criminoso e acessou o aplicativo do banco para checar a chegada do prêmio. Ao não visualizar o valor creditado, o golpista alegou que haveria um bloqueio da instituição financeira. Em seguida, ele convenceu a vítima a realizar transferências via pix e transações com cartão de crédito, resultando em uma perda significativa de R$ 20 mil.
Apenas após verificar diretamente no aplicativo da Tele Sena que não havia recebido nenhum prêmio, o aposentado percebeu que tinha sido enganado. Ele prontamente registrou um boletim de ocorrência e, com auxílio jurídico, entrou com uma ação judicial contra o banco PicPay, argumentando que a instituição falhou em seu sistema de segurança ao não bloquear as movimentações atípicas que ocorreram em sua conta.
A responsabilidade das instituições financeiras
A advogada da vítima, Bárbara Malaquias Silva, destacou a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a obrigação das instituições financeiras em prevenir transações suspeitas. “Os bancos têm o dever de desenvolver mecanismos de segurança que identifiquem e impeçam movimentações que destoem do perfil do consumidor”, afirmou.
Posição do PicPay
Em defesa, o banco PicPay declarou que não existe uma relação direta com os valores, visto que não recebeu as transações. Além disso, a instituição argumentou que as transferências foram feitas de forma voluntária pelo cliente e que não houve falha de segurança em sua plataforma. O PicPay enfatizou que disponibiliza orientações em seu site sobre como evitar fraudes e golpes. O processo ainda está pendente de julgamento.
A crescente preocupação com golpes virtuais
O uso de tecnologias como a inteligência artificial para realizar fraudes tem se tornado uma realidade cada vez mais preocupante. Com a facilidade de manipulação de imagens e vídeos, golpes como o que afetou este idoso podem se tornar mais frequentes. Especialistas em segurança digital alertam para a necessidade de um maior investimento em educação financeira e em ferramentas de prevenção a fraudes, tanto por parte das instituições financeiras quanto dos próprios usuários.
Além disso, campanhas de conscientização e a promoção de métodos de verificação de identidade podem ajudar a prevenir que mais pessoas se tornem vítimas de golpes semelhantes. As instituições devem intensificar seus esforços para garantir que seus sistemas protejam adequadamente os consumidores e que estes últimos estejam informados sobre possíveis fraudes.
Com o crescimento do uso de serviços digitais, o alerta é claro: é fundamental que todos contribuam na luta contra a fraude virtual, adotando hábitos mais seguros e informando-se sobre os cuidados necessários ao utilizar tecnologia.
Atualmente, o caso segue sendo monitorado e pode trazer à tona discussões importantes sobre a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de seus usuários, além de evidenciar a urgência de medidas mais eficazes para combater esse tipo de crime.


