No último dia 1º de janeiro, após a queima de fogos da virada do ano, dois tristes incidentes marcaram a vida de tutores de cães em cidades de São Paulo. Em Ribeirão Preto, uma cachorra desapareceu ao se assustar com o barulho, enquanto em Guaíra, um husky siberiano morreu após um grave acidente relacionado aos mesmos fogos. Esses eventos trazem à tona não só a fragilidade dos animais diante de ruídos altos, mas também a discussão sobre a utilização de fogos de artifício em áreas residenciais.
A fuga de Lika em Ribeirão Preto
Laís Siqueira, a tutora de Lika, uma cachorra da raça shih tzu de 2 anos e meio, conta que a pequena ficou extremamente nervosa com a queima de fogos. “Ela estava tremendo muito, teve muito medo de fogos e correu. Tentamos acalmá-la, mas foi em vão”, relata Laís. A cachorra se perdeu por volta da meia-noite, e a família começou uma busca frenética até as 4 horas da manhã, sem sucesso.
“Está complicado, principalmente porque ela tem a irmãzinha dela, Cacau, que também está sentindo falta. Estamos fazendo tudo o que podemos, desde procurar ao redor até publicar avisos nas redes sociais”, disse Laís, demonstrando a angústia de muitos tutores que enfrentam situações similares. O desespero de procurar um animal de estimação perdido após momentos de pânico é uma realidade que afetou não só a família de Laís, mas muitos outros que se veem em situações semelhantes durante festas de fim de ano.
Tragédia em Guaíra
Na cidade de Guaíra, a situação foi ainda mais trágica. Um husky siberiano chamado Tony, de 3 anos, morreu após tentar escapar de casa devido ao barulho dos fogos de artifício. De acordo com a família, Tony já havia se assustado no Natal, mas a situação se agravou no Ano Novo. Durante a fuga, o cão ficou preso na grade do portão e, ao tentar sair, acabou se ferindo gravemente, o que levou a uma parada cardíaca.
Este triste desfecho levanta questionamentos sobre as medidas de segurança que podem ser adotadas para proteger os animais durante as festividades. Os responsáveis pela soltura dos fogos em Guaíra não eram autorizados pela prefeitura, uma vez que, de acordo com a lei estadual 17.389/2021, o uso de fogos de artifício com barulho é proibido em todo o estado de São Paulo.
Aumento da preocupação com a segurança animal
A tragédia envolvendo Tony e a fuga de Lika destacam o efeito nocivo dos fogos de artifício na vida dos animais, que possuem uma capacidade auditiva muito mais sensível que a dos humanos. Estudos indicam que os cães podem ouvir sons em frequências até quatro vezes maiores, levando muitos a sofrerem de muito estresse e, em casos extremos, pânico. Esses fatores enfatizam a necessidade da conscientização sobre o impacto do uso de fogos de artifício.
Os tutores de animais de estimação são encorajados a tomar medidas preventivas durante as comemorações. Isso pode incluir o uso de abafadores de barulho e criar um ambiente tranquilo e seguro dentro de casa, onde os animais possam se sentir mais confortáveis.
A necessidade de uma mudança cultural
A situação em Ribeirão Preto e Guaíra aponta para uma mudança necessária na forma como as festividades são celebradas. Os tutores de animais, assim como a comunidade em geral, devem se unir para promover o respeito e a empatia, considerando sempre que nem todos podem suportar os mesmos sons que os humanos. O debate sobre a utilização de fogos de artifício barulhentos deve ganhar mais força, com a busca por alternativas que não coloquem em risco a segurança e o bem-estar dos animais e, em última instância, da própria comunidade.
Vários protetores de animais e organizações estão começando a se mobilizar para promover uma virada de cultura em relação aos fogos de artifício. Com isso, espera-se que, ao longo dos próximos anos, um número menor de animais e tutores precise enfrentar situações tão desgastantes e traumáticas como as que Lika e Tony vivenciaram.
A população é convidada a refletir sobre suas ações e a considerar o impacto que essas festividades têm sobre os seres que compartilham seus lares, buscando celebrações mais amigáveis e seguras para todos.
Para mais informações sobre os cuidados com animais durante festividades, e para acompanhar a história de Lika e seu paradeiro, acompanhe as atualizações nas redes sociais e nos meios de comunicação locais.


