Brasil, 2 de janeiro de 2026
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O que acontece quando sua mente fica em branco?

Você já passou por aquelas situações em que a sua mente simplesmente “desliga”? Não há pensamentos vagando, não há sonhos acordados — apenas um vazio mental. O fenômeno, chamado de “mind blanking”, está agora sob os holofotes da ciência, que sugere que esses breves momentos de desatenção podem ser mais do que meros desvios da realidade: podem representar pausas genuínas na consciência.

Entendendo o mind blanking

Uma pesquisa realizada pela Sorbonne Université avaliou a atividade cerebral de 62 adultos enquanto realizavam uma tarefa simples de atenção. Em intervalos aleatórios, a cada 40 a 70 segundos, os participantes foram solicitados a relatar o que sentiam, indicando se estavam focados, sonhando acordados, com a mente em branco ou sem lembranças. Os resultados, publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, revelaram que o “mind blanking” ocorria surpreendentemente 16% das vezes, comparação a 35% para devaneios mentais.

Mas o que torna o “mind blanking” distinto? Os padrões de comportamento diferem entre os três estados mentais. Enquanto os devaneios mentais tornam as pessoas mais rápidas, mas propensas a erros, o “mind blanking” tem o efeito oposto. Os indivíduos se tornam mais lentos e tendem a perder indicadores importantes, como se mentalmente estivessem ausentes.

O padrão cerebral durante as ausências mentais

A equipe de pesquisa identificou múltiplos aspectos da função cerebral, desde a complexidade dos sinais neurais até a comunicação entre diferentes regiões do cérebro. O “mind blanking” produziu uma dissociação clara entre as atividades na parte frontal e posterior do cérebro. A parte frontal apresentou aumento da atividade rápida, enquanto a parte de trás, encarregada do processamento visual, mostrou o padrão oposto. Essa dissociação não ocorreu durante os devaneios mentais, sugerindo que esses estados operam por meio de mecanismos completamente diferentes.

Informação visual não chega à consciência

Durante a análise da resposta cerebral a estímulos visuais, os pesquisadores notaram algo importante. Em estados de atenção focada e devaneios, a informação visual seguia o caminho normal pelo cérebro, acionando reações cerca de 200 milissegundos após cada imagem ser apresentada. No entanto, durante o “mind blanking”, essa cascata simplesmente não ocorria. Embora as respostas iniciais do cérebro aos estímulos visuais fossem semelhantes em todos os três estados, as respostas posteriores associadas à percepção consciente estavam severamente prejudicadas durante o “mind blanking”. Algoritmos de aprendizado de máquina puderam prever corretamente os estímulos percebidos durante a atenção focada e os devaneios, mas falharam completamente durante o “mind blanking”. A informação visual chegava aos olhos, mas nunca alcançava a consciência.

Rastreamento de estados mentais pela atividade cerebral

Os pesquisadores treinaram algoritmos de aprendizado de máquina com padrões de atividade cerebral rotulados pelos relatos dos participantes. Esses classificadores puderam prever estados mentais durante momentos não rotulados, quando os participantes não foram interrogados sobre sua experiência. O sistema apresentou desempenho melhor do que o acaso e, quando aplicado a esses momentos não examinados, recuperou alguns dos padrões de comportamento esperados, especialmente no “mind blanking”. Essa abordagem pode eventualmente ajudar a rastrear dinâmicas de consciência que ocorrem rapidamente demais para que as pessoas notem ou relatem.

Desafiando a definição de estar acordado

As descobertas desafiam uma suposição básica: estar acordado significa experimentar algo continuamente. Os sinais neurais do “mind blanking”, incluindo a interrupção na troca de informações entre as regiões do cérebro e o processamento sensorial comprometido, ecoam alguns marcadores observados quando a consciência diminui durante o sono profundo ou a anestesia, mas ocorrem durante lapsos breves em um estado de vigília. O “mind blanking” pode representar verdadeiros vazios na corrente da experiência consciente, momentos em que o cérebro falha em gerar ou acessar conteúdo consciente. Isso se alinha a algumas teorias que sugerem que a consciência não é contínua, mas ocorre em momentos discretos separados por períodos sem conteúdo.

Vale ressaltar que nem todos experimentaram o “mind blanking” da mesma forma. Um pequeno grupo de participantes nunca reportou esse fenômeno, embora tenham relatado devaneios. Pesquisas anteriores indicaram taxas mais altas de “mind blanking” em pessoas com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, sugerindo que isso pode depender de características individuais. Os pesquisadores reconhecem que suas descobertas têm limitações. Relatos pessoais podem ser não confiáveis, e amostrar estados mentais a cada 40-70 segundos não captura tudo que acontece entre os intervalos. A pesquisa também não conseguiu identificar exatamente quando os episódios de “mind blanking” começaram ou terminaram. No entanto, a convergência de evidências comportamentais, experienciadas e de atividade cerebral aponta para o “mind blanking” como algo fundamentalmente diferente do devaneio mental, um estado onde a consciência pode realmente pausar, mesmo enquanto a vigília persiste.


Este artigo discute pesquisas em neurociência e não constitui aconselhamento médico. Questões relacionadas à atenção ou consciência devem ser discutidas com um profissional de saúde.


Análise Finais

O estudo sobre o “mind blanking” abre novas frentes para a compreensão da consciência humana. Com a descoberta de que esses momentos de vazio mental não são meros desvios, mas sim pausas reais na atividade cognitiva, o campo da neurociência poderá expandir suas investigações sobre como e por que esses fenômenos ocorrem, potencialmente levando a insights valiosos sobre a mente e suas dinâmicas.

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