As recentes tarifas impostas por China e México neste início de ano indicam que a política de tarifas elevada promovida pelo governo de Donald Trump não foi um caso isolado, avalia o especialista Carlos Frederico de Souza Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Para ele, essa estratégia faz parte de uma mudança profunda no sistema internacional, em que comércio, sanções econômicas e força militar se consolidam como instrumentos de poder.
Um surto de instrumentalização na ordem global
“A ação dos Estados Unidos legitimou todo tipo de instrumentalização, configurando uma corrida ao fundo — afirma Carlos Frederico. Essa expressão indica uma competição em que empresas e países reduzem padrões para manter vantagens no mercado global.”
Desafios para o Brasil na nova ordem mundial
Segundo o especialista, o cenário atual traz desafios adicionais ao Brasil, um país de capacidades materiais médias e localização geográfica distante da China, seu maior parceiro comercial. Por outro lado, o país está mais próximo de uma política coercitiva adotada pelos Estados Unidos, o que dificulta sua atuação entre as grandes potências. Os acordos regionais, como o Mercosul e a União Europeia, permanecem incertos, enquanto o grupo ampliado dos Brics enfrenta dificuldades de coordenação entre seus membros.
Avanços na diversificação e estratégias de resposta
Apesar dessas dificuldades, há um consenso crescente sobre a necessidade de diversificar os parceiros comerciais brasileiros, uma agenda defendida há anos por estudiosos do tema.
Perspectivas para 2026 e o cenário global
Para Carlos Frederico, o grande desafio de 2026 será implementar estratégias eficazes de resposta a esse cenário fragmentado, menos cooperativo e mais volátil. Com grandes pactos globais aparentemente inviáveis, o foco será na construção de acordos setoriais e regionais. Além disso, o impacto das eleições brasileiras na inserção do país no cenário internacional será um fator decisivo, uma vez que a tensão entre interdependência econômica e rivalidade política deve moldar as decisões globais nos próximos anos.
Mais detalhes podem ser conferidos na análise completa pelo o Globo.


