Brasil, 2 de janeiro de 2026
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Missa de 7º dia em memória a Mãe Carmen de Oxaguian

A missa de sétimo dia da morte de Mãe Carmen de Oxaguian, uma das figuras mais reverenciadas do candomblé e ialorixá do Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, conhecido como Terreiro do Gantois, ocorreu na sexta-feira, dia 2, em Salvador. Esta celebração foi realizada na Igreja Nossa Senhora da Vitória e contou com a organização do Terreiro do Gantois, em parceria com a Associação de São Jorge Ebé Oxóssi. O evento reuniu familiares, filhos e filhas de santo, além de representantes de diversas comunidades de matriz africana, e admiradores da trajetória religiosa e social da ialorixá.

A vida e legado de Mãe Carmen

Mãe Carmen, que faleceu em 26 de dezembro, tinha 97 anos e estava internada há duas semanas no Hospital Português devido a complicações de saúde resultantes de uma forte gripe. Ela se destacou como a quinta religiosa à frente do Terreiro do Gantois, comandando a instituição desde 2002, após uma longa trajetória que começou quando foi iniciada no candomblé aos 7 anos. A linha sucessória de liderança do terreiro inclui nomes importantes, como Maria Júlia da Conceição Nazareth, Pulchéria Maria da Conceição Nazareth, Maria Escolástica da Conceição Nazareth, e Cleusa Millet.

Contribuições culturais e sociais

Durante seus anos à frente do terreiro, Mãe Carmen apresentou contribuições notáveis na área social, promovendo ações sócio-educativas que beneficiaram a comunidade do Gantois e preservaram a cultura afro-brasileira. Sua dedicação à espiritualidade, cultura e ancestralidade negra é reconhecida, tendo sido homenageada com a música “A Força do Gantois”, criada pelo sambista Nelson Rufino em 2011. Em maio de 2023, ela foi laureada com a comenda Maria Quitéria, honraria que reconhece mulheres destacadas em Salvador e na Bahia.

Reconhecimento nacional e internacional

Além de suas contribuições culturais locais, Mãe Carmen também foi agraciada com a “Medalha dos 5 continentes ou da diversidade cultural” pela Unesco em 2010, em reconhecimento ao seu trabalho pelo diálogo inter-religioso e pela preservação das tradições africanas no Brasil. Esta medalha é uma importante honraria que simboliza o respeito e a promoção da diversidade cultural.

A cerimônia de despedida

A missa em homenagem à ialorixá, marcada por emoção e espiritualidade, foi uma oportunidade para que amigos, familiares e adeptos do candomblé pudessem prestar suas últimas homenagens. Durante a celebração, diversos relatos sobre a trajetória de Mãe Carmen foram compartilhados, destacando seu impacto na vida de muitas pessoas e na preservação das tradições do candomblé na Bahia.

Com um legado inestimável, Mãe Carmen de Oxaguian deixa um vazio na comunidade religiosa, mas suas ações e ensinamentos continuarão a inspirar muitas gerações futuras. Sua luta e dedicação à promoção da cultura afro-brasileira e à solidariedade social são lembradas e celebradas em diversas formas, incluindo eventos culturais, oficinas e aulas de dança e música que mantém viva a herança africana.

Ao longo de sua vida, Mãe Carmen foi uma defensora incansável dos direitos de sua comunidade, criando um espaço seguro e acolhedor para todos que buscavam consolo na espiritualidade. Em um Brasil que ainda luta contra várias formas de discriminação, sua presença era um símbolo de resistência e força.

O papel da ancestralidade na espiritualidade

A presença de Mãe Carmen no Terreiro do Gantois foi, acima de tudo, um lembrete da importância da ancestralidade na espiritualidade afro-brasileira. Com a sua morte, muitos se reúnem para garantir que sua memória e ensinamentos continuem a ser transmitidos, mantendo vivas as tradições e a fé que ela tão carinhosamente protegeu.

O Terreiro do Gantois não apenas preserva um espaço sagrado, mas também se mantém como um centro de ensino e de resistência cultural, que reflete a riqueza das tradições africanas. A missa de sétimo dia foi um tributo à sua vida, um momento de reflexão sobre a sua trajetória e um apelo à continuidade do seu trabalho.

Com a lembrança de Mãe Carmen, a comunidade de Salvador e a nação brasileira reforçam a importância de respeitar e valorizar as tradições de matriz africana, garantido que seu legado nunca seja esquecido.

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