Em meio a recentes ataques e ameaças militares, os EUA planejam novas ações ao longo de 2026 para conter a perseguição aos cristãos na Nigéria, segundo membros do Congresso e defensores da questão. A medida inclui sanções específicas e uma possível parceria estratégica com o governo nigeriano.
Sanções e parceria estratégica contra a perseguição religiosa na Nigéria
O Congresso norte-americano deverá apresentar ao presidente Donald Trump um relatório com 30 possibilidades de ações para frear a violência contra cristãos na Nigéria, especialmente na região do cinturão central. Rep. Riley Moore, de West Virginia, afirmou que o documento visa estabelecer uma parceria que combine ações diplomáticas e medidas de segurança, incluindo o fortalecimento do combate ao Boko Haram e ao ISIS na região nordeste.
Segundo Moore, a recente visita ao país revelou o sofrimento de cristãos perseguidos, além de uma conversa produtiva com líderes nigerianos. “Estamos muito próximos de estabelecer uma estrutura de segurança que proteja nossos irmãos e irmãs em Cristo”, afirmou. O deputado também destacou que o governo nigeriano enfrenta dificuldades em conter grupos radicais islâmicos, como o Fulani, que atuam de forma impune na violência contra a população cristã.
Ameaças de intervenção militar
Após ameaças feitas pelo próprio Trump em novembro de 2025, que indicavam a possibilidade de ações militares contra o país, o presidente intensificou a pressão após os ataques de Natal, em 25 de dezembro. Trump chegou a afirmar que alertou os terroristas de que “se não pararem com o massacre dos cristãos, haverá consequências severas”, e prometeu novas ações caso o governo nigeriano não tome providências.
O ex-mandatário também disse que, se a situação persistir, os Estados Unidos poderiam cessar toda ajuda ao país africano e atuar “de forma decisiva” contra os terroristas. A estratégia visa pressionar as autoridades nigerianas a intensificar o controle sobre os grupos radicalizados na região do Sahel, além de reforçar a proteção dos cristãos e combater a entrada de armas ilegais.
Implicações das sanções e o status de país de preocupação especial
De acordo com a Lei de Liberdade Religiosa Internacional de 1998, os EUA podem impor sanções diplomáticas e econômicas a países que tolerem violações severas de liberdade religiosa, classificando-os como CPCs (países de preocupação especial). Entre as violações estão torturas, detenções prolongadas e desaparecimentos forçados, segundo o Departamento de Estado.
Especialistas indicam que, se o governo nigeriano for oficialmente designado como CPC em 2026, espera-se uma intensificação na ajuda internacional para assegurar a segurança de comunidades cristãs, além do fortalecimento do controle nas fronteiras para impedir o ingresso de militantes e armas do Sahel. Também é possível a imposição de sanções de visto contra indivíduos envolvidos em violações religiosas.
Perspectivas e desafios futuros
Nina Shea, pesquisadora do Hudson Institute, acredita que as ações recentes podem fortalecer a cooperação do governo nigeriano na repressão a militantes Fulani e na proteção a comunidades cristãs. Já Sean Nelson, representante da Alliance Defending Freedom, expressa uma esperança cautelosa, destacando que o aumento da atenção internacional no caso de Nigeria é um avanço importante na luta contra uma das maiores perseguições religiosas do mundo.
Por sua parte, pesquisadores ressaltam a importância de o governo americano dedicar esforços na ajuda às comunidades afetadas, incluindo assistência na segurança das fronteiras e na revogação de leis discriminatórias, como as leis de blasfêmia que permitem penas de morte. A expectativa é que, com sanções e ações coordenadas, seja possível reduzir a violência e garantir maior proteção aos cristãos na Nigéria.
(Fonte: Catholic News Agency)

