Brasil, 2 de janeiro de 2026
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Desigualdade extrema na América Latina é revelada em relatório da Cepal

O relatório anual “Panorama social da América Latina e do Caribe 2025: como sair da armadilha da alta desigualdade, da baixa mobilidade social e da fraca coesão social”, elaborado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), aponta que a concentração de renda na região é alarmante. De acordo com a Cepal, os 10% mais ricos da América Latina detêm 34,2% da renda total, enquanto os 10% mais pobres recebem apenas 1,7%. Esses números revelam um cenário preocupante para a coesão social e a mobilidade social na região, aspectos cruciais para o desenvolvimento sustentável e a justiça social.

A urgência de uma estratégia em cinco pontos

Em um cenário onde a desigualdade se perpetua, o secretário executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs, destaca a necessidade de uma intervenção clara e estruturada. Ele propõe uma estratégia em cinco pontos que inclui:

  • Reduzir a desigualdade educacional;
  • Criar empregos de qualidade;
  • Avançar na igualdade de gênero e na assistência social;
  • Combater a discriminação e as violações dos direitos humanos, especialmente contra pessoas com deficiência, povos indígenas e migrantes;
  • Fortalecer o quadro institucional e social em cada país.

Esses elementos são essenciais para romper o ciclo de pobreza e desiguldade que afeta a região. A Cepal classifica essa situação como uma verdadeira “armadilha”, da qual só é possível escapar por meio de intervenções políticas eficazes e inclusivas.

Melhorias na pobreza monetária

O relatório também traz à tona um dado positivo: a incidência de pobreza monetária, que em 2024 afetava 25,5% da população latino-americana, apresentou uma queda significativa. Essa porcentagem representa aproximadamente 162 milhões de pessoas e mostra uma redução de 2,2 pontos percentuais em relação a 2023, além de uma diminuição de 7 pontos em relação a 2020. Contudo, mesmo com essa diminuição, a pobreza extrema ainda afeta 62 milhões de pessoas, representando uma taxa de 9,8% em 2024, o que continua elevado se comparado a dados anteriores.

Desafios no mercado de trabalho e na educação

Os desafios relacionados ao trabalho e à educação ainda são profundas. Aproximadamente 47% dos trabalhadores na América Latina estão em situação de informalidade, o que limita o acesso a direitos básicos e contribui para a perpetuação da pobreza. O relatório sugere que a formalização do trabalho poderia reduzir pela metade a taxa de pobreza entre os trabalhadores informais, que atualmente é de 14,9%.

Outro fator preocupante é o acesso à educação. Dados de 2023 mostraram que 28% dos jovens entre 20 e 24 anos não completaram o ensino médio, revelando uma disparidade significativa entre aqueles de baixa e alta renda. Esta diferença acentua ainda mais as desigualdades de oportunidades e limita a ascensão social de muitos indivíduos, sobretudo entre grupos marginalizados.

Gastos sociais em perspectiva

Com relação aos gastos sociais, a Cepal informa que, em 2024, esses gastos representaram 11,6% do PIB na América Latina. Os investimentos públicos em assistência social também aumentaram, alcançando uma média de US$ 1.326 por pessoa, o que supera os níveis pré-pandêmicos. No entanto, as grandes disparidades entre os diferentes países e sub-regiões da América Latina permanecem, refletindo as desigualdades estruturais enraizadas.

Um futuro incerto para milhões

O relatório da Cepal retrata a América Latina como uma região que vive uma dualidade: a redução da pobreza monetária é um avanço significativo, mas a persistência de desigualdades severas ameaça as perspectivas de milhões de pessoas. A Cepal ressalta que, sem intervenções estruturais em áreas como educação, emprego e direitos humanos, a redução da pobreza poderá ser um progresso efêmero, colocando em risco o futuro de muitos cidadãos latino-americanos.

É evidente que a América Latina enfrenta um trabalho conjunto em prol de uma sociedade mais igualitária, onde políticas públicas eficazes e inclusivas possam garantir um futuro melhor para todas as suas populações.

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