Brasil, 2 de janeiro de 2026
BroadCast DO POVO. Serviço de notícias para veículos de comunicação com disponibilzação de conteúdo.
Publicidade
Publicidade

A importância da verdade para a paz em Moçambique

O coordenador diocesano da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Nampula, padre Benvindo Tápua, compartilhou um profundo diagnóstico sobre a crise enfrentada por Moçambique, enfatizando a urgência da verdade, justiça e inclusão. Em uma entrevista à Rádio Vaticano, realizado na última quinta-feira (01/01), o sacerdote destacou que a vontade popular pela paz existe, mas as ações concretas por parte das lideranças políticas ainda são escassas. Para ele, a verdade é o único caminho para a reconciliação e para a estabilidade duradoura no país.

Um panorama crítico da situação sociopolítica

O padre Benvindo, que também é diretor da Rádio Encontro, uma emissora católica em Nampula, fez uma análise crítica das atuais circunstâncias sociopolíticas em Moçambique. Ele ressalta que, apesar da intenção manifestada por muitos cidadãos em promover a paz, as ações concretas que concretizam esse desejo ainda estão distantes. A Comissão de Justiça e Paz tem promovido a conscientização das comunidades por meio de materiais didáticos, subsídios pastorais e ensinamentos da Igreja, com especial ênfase em diálogos nacionais inclusivos e participação cívica.

“Em Moçambique estamos longe de falar a verdade”, afirmou o sacerdote, ao apontar problemas como a corrupção, o medo de denunciar injustiças e o silêncio das instituições como fatores que agravam a instabilidade. Ele recordou que a paz nunca foi plenamente vivida no país, desde os tempos coloniais até os dias atuais, passando por divisões pós-independência e promessas não cumpridas após o Acordo Geral de Paz.

A questão eleitoral e a falta de diálogo

Fazendo referência às eleições tumultuadas do ano passado, Pe. Benvindo considerou que o processo eleitoral já estava viciado desde seu início, permeado por violência, intimidação e exclusão. Esses fatores contribuíram para aumentar a desconfiança da população nas instituições e no sistema político. Ele observou que o diálogo inclusivo, que deveria ser uma solução, continua sendo limitado e não está representando devidamente as forças vivas da sociedade, especialmente os jovens.

Preocupação com a juventude

A situação dos jovens, especialmente no norte do país, é uma grande preocupação expressa pelo sacerdote, que relatou casos de mortes, desaparecimentos e repressão vinculadas à luta por direitos, acesso à terra e recursos naturais. Ele também denunciou a exploração de recursos naturais por interesses tanto externos quanto internos, sem que as comunidades locais se beneficiem, o que é exacerbado pela corrupção e pela falta de transparência nas ações governamentais.

No campo da comunicação social, o padre Benvindo celebrou os 30 anos da Rádio Encontro como um marco importante, destacando o papel da rádio na promoção dos valores evangélicos e da cultura da paz. No entanto, reconheceu que a emissora enfrenta sérios desafios, como escassez de recursos, falta de transporte e a necessidade de um modelo financeiro sustentável. Além disso, ele frisou a seriedade do combate às fake news, que podem distorcer a realidade e desvirtuar a verdade.

A missão de trazer à tona a verdade

Embora enfrente diversas dificuldades, o padre Benvindo reafirma a missão da Igreja de anunciar e viver a verdade, mesmo frente à incompreensão e à perseguição. “Onde há mentira, nunca haverá paz”, enfatizou, reforçando que somente por meio da verdade é que Moçambique poderá ser libertado, curado de suas feridas e reconectado entre seus cidadãos.

Por fim, ele fez um apelo ao amor pela pátria, ao compromisso cívico responsável e à coragem de confrontar a verdade como fundamentos indispensáveis para a construção de uma sociedade justa, pacífica e verdadeiramente inclusiva em Moçambique.

PUBLICIDADE

Institucional

Anunciantes