Brasil, 3 de fevereiro de 2026
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Mercado reage a incertezas eleitorais e aversão ao risco aumenta

O aumento da aversão ao risco devido à incerteza eleitoral teve um impacto significativo nos indicadores financeiros ontem. O dólar apresentou uma valorização de 1,09%, fechando a R$ 5,52, o que representa a maior cotação desde 1º de agosto. Do outro lado, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, sofreu uma queda de 0,79%, encerrando o dia aos 157.327 pontos. Essa performance foi precedida por uma queda ainda mais acentuada, com a bolsa registrando -2,4% na terça-feira.

A mudança no panorama financeiro

Esse cenário é bastante distante do que foi observado algumas semanas atrás, quando o Ibovespa registrava sucessivos recordes e o real se destacava com uma valorização constante frente ao dólar. Mas, o que motivou essa reversão de expectativas no mercado financeiro?

De acordo com especialistas, o pessimismo vem da conjuntura política. A possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ser o candidato da oposição nas próximas eleições presidenciais pareceu alarmar investidores. Pesquisas recentes, como a realizada pela Genial/Quaest, indicam que, apesar de Flávio apresentar certa competitividade no primeiro turno, ele não seria capaz de superar o candidato governista em um eventual segundo turno.

O impacto do “trade eleitoral”

Luís Garcia, diretor de investimentos da SulAmérica Investimentos, observa que a troca de Tarcísio de Freitas por Flávio Bolsonaro nas pesquisas é um fator que contribui para o desânimo do mercado. “Esse mau humor reflete a percepção de que uma possível vitória da direita foi prejudicada por essa substituição”, afirma Garcia.

Além do respaldo ao nome de Flávio, analistas consideram que ele enfrenta dificuldades para conquistar o apoio do eleitorado em geral. Luís Castro Fonseca, sócio e gestor da Nest Asset Management, explica: “Os votos do Bolsonaro vão para ele (Flávio), mas é complicado convencer os demais eleitores. Tarcísio, embora tenha menos projeção, pode crescer.”

Em resumo, a baixa aceitação de Flávio pode facilitar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visto como uma figura menos inclinada a implementar os ajustes fiscais que o mercado espera para estimular cortes na taxa de juros.

Preocupações com a dívida pública

No cenário dos juros futuros, as expectativas mudaram rapidamente. Projeções indicam que o início da flexibilização da Taxa Selic agora é esperado para março, e o ciclo de redução deve ser mais modesto em 2026, sugerindo uma taxa de fechamento de 12,75% ao final do próximo ano. Em apenas dois dias, os cinco maiores bancos do Brasil já perderam R$ 47,4 bilhões em valor de mercado, refletindo a crescente preocupação com o cenário eleitoral.

A busca por uma alternância de poder é vista como crucial para o controle dos gastos públicos. Garcia reforça que, desde o início do atual governo, houve uma expansão fiscal sem precedentes, e o mercado não espera que uma reeleição resultasse em uma disciplina fiscal diferente.

Pressão sobre câmbio e juros futuros

As projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI) indicam que a relação entre a dívida bruta e o PIB deve atingir 77,6% até o final do ano e 82,7% até 2026. Um crescimento nessa relação pode aumentar a desconfiança sobre a capacidade do país de honrar suas dívidas, levando à fuga de investidores.

Como consequência, o dólar deve pressionar para cima e os juros podem aumentar, já que os investidores exigiriam retornos mais elevados dos títulos públicos. O resultado disso já se faz sentir com a taxa de depósito interfinanceiro (DI) em alta, com o valor para janeiro de 2027 indo para 13,815%. Os papéis de construtoras e do setor de varejo, como a Renner e a Direcional, também refletiram esse quadro, com quedas significativas em seus preços de ações.

Movimentação nas bolsas internacionais

O cenário de alta nos juros locais também impactou a bolsa americana, desencadeando uma troca de ativos, onde investidores migraram de ações de maior risco para opções mais seguras em renda fixa. Enquanto isso, os índices da Bolsa de Nova York caíram em meio a incertezas sobre as taxas de juros e o desempenho das empresas de tecnologia, com o Dow Jones recuando 0,47% e o Nasdaq 100, que abriga as principais empresas de tecnologia, perdendo 1,81%.

Em suma, o panorama eleitoral engendra um clima de incerteza que reverbera em todo o mercado financeiro, exigindo dos investidores uma atenção redobrada aos desdobramentos políticos que estão por vir.

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