O dólar iniciou esta quinta-feira (11) em leve recuo de 0,02%, cotado a R$ 5,4674 às 9h02, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h, com atenção voltada aos desdobramentos das decisões de juros nos dois países e aos fatores políticos internos.
Mercado financeiro reflete decisões de juros e cenário político
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, sem sinalizações definitivas quanto ao início de um ciclo de cortes. Segundo especialistas, o índice de inflação deve atingir a meta central já na primeira reunião de 2026.
Já nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,5% a 3,75%, mas evitou indicar os próximos passos. Jerome Powell afirmou que a política monetária passa por uma “pausa”, sem descartar novo corte em janeiro, o que gera expectativas de continuidade na desaceleração do ciclo de alta. Fonte: G1 Economia
Hoje, o mercado também monitora a divulgação de dados como pedidos de auxílio-desemprego, estoques no atacado e balança comercial, que aponta déficit de US$ 63,3 bilhões, reforçando a volatilidade no cenário externo.
Influência da política e dados econômicos no mercado
A possível redução da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, aprovada na Câmara, reacende discussões sobre o impacto eleitoral e nas contas públicas, influenciando as expectativas de investidores e o cenário político.
Na semana, o dólar acumula alta de 0,66% e 2,50% no mês, porém registra queda de 11,51% no ano. O Ibovespa, por sua vez, apresenta crescimento de 1,08% na semana e 32,25% desde o início de 2024, mantendo estabilidade no mês.
Inflação apresenta leve alta, mas dentro das metas
Indicador oficial de inflação, o IPCA, registrou alta de 0,18% em novembro, mantendo a trajetória de desaceleração no ano, com acumulado de 3,92% até novembro e uma taxa de 4,46% nos últimos 12 meses, abaixo das expectativas de mercado.
De acordo com Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, o resultado demonstra uma fase de desinflação gradual. “A inflação veio alinhada às expectativas, especialmente pelo comportamento dos serviços e a queda nos preços de bens industriais, refletindo descontos de promoções sazonais”, afirma.
Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, analisa que o núcleo de inflação também desacelerou, reforçando o cenário de estabilização, enquanto a deflação na alimentação no domicílio, de 0,20%, indica perda de pressão nos preços dos alimentos ao longo do ano.
Decisões de juros e perspectiva internacional
O Fed, banco central dos EUA, reduziu as taxas de juros pela terceira vez em 2025, para o intervalo de 3,50% a 3,75%, alinhando-se às expectativas do mercado. Contudo, suas projeções para 2026 indicam apenas um corte, frustando expectativas de possíveis reduções mais agressivas.
No Brasil, as expectativas permanecem de manutenção da Selic em 15% ao ano, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçando a necessidade de decisões baseadas em dados e fatos. Analistas, como Leonel Mattos, acreditam que a inflação controlada reforça a possibilidade de estabilidade da política monetária, ao menos até o primeiro semestre de 2026.
Reflexos globais no mercado financeiro
Nos EUA, Wall Street fechou em alta, impulsionada pelos cortes de juros do Fed, com o Dow Jones subindo 1,05%, o S&P 500 avançando 0,68%, e o Nasdaq ganhando 0,33%. Bolsas europeias tiveram dia de cautela, refletindo o cenário internacional, enquanto mercados asiáticos tiveram resultados mistos, com a China enfrentando deflação e Hong Kong apresentando recuperação.
O cenário global, fortemente influenciado pelas decisões de política monetária e por dados econômicos, continua a gerar volatilidade e oportunidades de ajuste para investidores ao redor do mundo.















