A inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 4,46% nos 12 meses até novembro, dentro do intervalo de tolerância de até 4,5%, pela primeira vez desde setembro de 2024. O dado, divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (10), confirma a tendência de desaceleração inflacionária observada nas últimas semanas, embora tenha sido influenciado por fatores pontuais.
Impacto da inflação de alimentos e fatores temporários
O resultado de novembro foi o mais baixo desde 2018 e poderia ter sido ainda menor, não fosse o aumento nos preços de hospedagem e pacotes turísticos durante a COP 30, realizada em Belém, com elevações próximas a 180%. Segundo Luís Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, ao retirar esse impacto da conta, a inflação do mês teria sido de aproximadamente 0,13%.
“A inflação geral veio em linha com o esperado pelo mercado, e a sexta redução na inflação de alimentos em domicílio surpreendeu positivamente”, afirmou Leal. Ele destacou ainda que o índice reflete uma desaceleração na trajetória de preços de bens e serviços, com destaque para a manutenção do controle na inflação de serviços, apesar do aumento temporário na hospedagem.
Desempenho dos alimentos e perspectivas para o fim do ano
De acordo com André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, a inflação na alimentação em domicílio acumulada em 12 meses até novembro foi de 2,46%, abaixo do IPCA de 4,46%. “É uma excelente notícia, especialmente para os mais pobres, para quem a inflação de alimentos pesa mais”, comentou o especialista.
Apesar do avanço na desaceleração, o mercado mantém a expectativa de que o IPCA deve fechar o ano em torno de 4,40%, com os analistas do Banco Central reforçando essa projeção. O economista da Pic Pay, Ariane Benedito, destacou que a composição do índice reflete um quadro favorável, com a inflação de serviços permanecendo controlada, exceto pelo pico temporário nos preços de hospedagem na COP 30.
Dados complementares e cenário futuro
O indicador de inflação ainda mostra sinais de desaceleração, com a inflação de alimentos em domicílio em 12 meses acumulando alta de 2,46%, abaixo do IPCA de 4,46%. Segundo Leal, a tendência é de continuidade na descompressão inflacionária, com projeções do Bradesco indicando uma inflação próxima de 3,8% na expectativa de encerramento de 2026.
O relatório do IBGE também apontou que bens industriais tiveram queda de 0,27% em novembro, superando as expectativas de redução de 0,23%. Entretanto, o sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana de São Paulo, pode entrar em uma classificação crítica inédita em janeiro devido à baixa nos volumes de água, conforme alerta recente.
Os analistas ressaltam que o controle na inflação de serviços e alimentos, aliado à desaceleração futura prevista, reforça o cenário de uma recuperação gradual da economia brasileira, mesmo com a persistência de incertezas no contexto global e nacional.
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