No último dia 4 de dezembro, Espanha, Irlanda, Eslovênia e Países Baixos confirmaram suas retiradas do Eurovision Song Contest 2026 após uma reunião da União Europeia de Radiodifusão (EBU) decidir que Israel poderá participar do concurso musical, que é um evento de grande audiência, com milhões de telespectadores em todo o mundo. A decisão provocou forte repercussão, impulsionada pela guerra em Gaza, que resultou em um intenso debate sobre a neutralidade do concurso, e acendeu um movimento de boicote por parte de alguns países.
Reunião da EBU e a Polêmica em Torno de Israel
Organizadores do festival, que tem uma longa história de promover a diversidade cultural através da música, se encontraram em Genebra para discutir a participação de Israel. A decisão de não votar sobre a continuação do país no concurso foi polêmica e não passou despercebida. Com vozes de protesto se intensificando, a EBU afirmou que mudanças seriam implementadas para aumentar a neutralidade no evento, após pressão de alguns de seus membros em razão da atual situação no Oriente Médio.
Reações à Decisão da EBU
A decisão da EBU de permitir a participação de Israel foi bem recebida pelo presidente israelense, Isaac Herzog, que expressou sua satisfação e agradeceu àqueles que defenderam o direito do país de competir. Por outro lado, o Ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, respeitosamente se disse envergonhado pelas nações que decidiram se afastar do concurso, considerando a situação atual um ataque à liberdade de expressão cultural.
Além disso, conforme a EBU, algumas nações se mostraram preocupadas com a participação de Israel no concurso devido às repercussões da guerra em Gaza, que teve início com a incursão do Hamas em Israel em 7 de outubro, resultando em um cenário devastador e mais de 70 mil mortes, segundo o Ministério da Saúde palestino.
A Resposta dos Países Europeus
A decisão de se retirar foi sustentada por algumas das principais emissoras desses países. A RTVE, emissora pública da Espanha, anunciou sua retirada imediatamente após a EBU tomar uma posição definitiva. Já a RTÉ, da Irlanda, afirmou que “não participará nem transmitirá” o evento. O Avrotros, dos Países Baixos, descreveu seu processo de decisão como cuidadoso, destacando que as atuais circunstâncias não estão alinhadas com os valores públicos que desejam representar.
A presidente da RTV SLO, emissora pública da Eslovênia, comentou que o cessar-fogo entre Israel e Hamas não é um verdadeiro acordo de paz, pois as mortes continuam. Para ela, se Israel optasse por fingir que não está participando até que a situação se estabilizasse, isso poderia evitar disputas e unir todos pela música.
O Futuro do Eurovision e a Busca por Neutralidade
O Eurovision Song Contest, que teve sua primeira edição em 1956, é um evento anual que visa celebrar a música e a cultura de diversos países. Com a edição de 2026 marcada para acontecer em Viena, os organizadores afirmaram que novas regras serão implementadas para restaurar a confiança e a integridade do evento. O diretor do concurso, Martin Green, destacou que a “neutralidade e integridade do Eurovision são fundamentais” para a EBU e suas audiências.
Apesar das tensões e dos desafios políticos, outros países, como a Alemanha, continuam a apoiar a inclusão de Israel no Eurovision, refletindo a complexidade do evento em meio a questões sociopolíticas atuais. Embora tenha sido determinado que a competição não deve ser um instrumento de sanção, a evidência da divisão política entre as nações participantes sugere que o caminho à frente é igual de desafiador quanto foi no passado.
Como o Eurovision continua a evoluir, a situação atual oferece um apanhado geral da intersecção entre musica, política e cultural, com perspectivas variadas que reafirmam que o festival ainda é um reflexo das tensões globais e dos anseios por uma paz duradoura.


