O empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, foi à Venezuela em novembro para se encontrar com o presidente Nicolás Maduro, segundo informações da agência Bloomberg. A visita ocorreu poucos dias após uma conversa telefônica entre Maduro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual o venezuelano apoiou uma transição pacífica de poder.
Visita de Joesley Batista à Venezuela sem envolvimento oficial
De acordo com a Bloomberg, a ida do empresário brasileiro ocorreu por iniciativa própria e sem convite dos Estados Unidos, ainda que autoridades do governo americano estivessem cientes da viagem. O Palácio do Planalto não confirmou se o presidente Lula tinha conhecimento do encontro entre Batista e Maduro, nem se houve alguma intervenção oficial.
A JBS, controlada pela holding J&F, afirmou em nota que Joesley Batista não representa nenhum governo. Em busca de neutralidade, o empresário tem desempenhado um papel de mediador na tentativa de aliviar as tensões entre Washington e Caracas, num momento de acirramento político na região.
Contexto de conflito e tensões na região
As relações entre os Estados Unidos e Venezuela se agravaram nos últimos meses, com acusação de Maduro liderar o “Cartel de los Soles”, classificado como organização terrorista, e o fechamento do espaço aéreo venezuelano por Trump. Washington também deslocou uma das maiores forças militares na região, incluindo o USS Gerald Ford e cerca de 15 mil soldados, alegando combate ao tráfico de drogas.
O governo venezuelano nega as acusações e acusa os Estados Unidos de tentarem derrubar Maduro para controlar o petróleo do país. Batista, que manteve interlocução com figuras do governo Trump, é visto por alguns analistas como um ‘diplomata’ não oficial, mediador na crise internacional.
Brasil, JBS e interesses na crise venezuelana
A presença do empresário na Venezuela reforça seu papel nos bastidores da política internacional. Em 2015, a JBS já tinha um acordo de US$ 2,1 bilhões com Caracas para fornecer carne, em meio à grave escassez de alimentos no país. O grupo também tem ampliado interesses no setor energético venezuelano, com empresas como a Fluxus prospectando reservas de petróleo.
Além disso, Joesley Batista integrou delegações brasileiras empenhadas em buscar alternativas diante do isolamento com Washington, inclusive durante viagem ao Sudeste Asiático em 2023, com destaque para encontros com líderes na Indonésia e Malásia.
Implicações e balanço político
A atuação de Batista, mesmo sem cargo público, reflete o papel de empresários no cenário geopolítico da América do Sul. Sua influência se dá em meio à deterioração das relações entre Brasil, Estados Unidos e Venezuela, além de seu histórico de participação em momentos turbulentos da política brasileira, como o escândalo do “Joesley Day”.
Especialistas avaliam que a iniciativa de Batista pode representar uma tentativa de atuar como mediador na crise venezuelana, embora sem reconhecimento oficial. O impacto de suas ações, no entanto, ainda é incerto perante o contexto de forte polarização regional e internacional.
Para mais detalhes, confira a reportagem completa na Fonte original.


