Brasil, 4 de fevereiro de 2026
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Bolsa brasileira atinge recorde enquanto PIB freia no terceiro trimestre

A economia brasileira cresceu apenas 0,1% no terceiro trimestre, indicando uma desaceleração do ritmo de expansão, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE. Entre julho e setembro, a demanda interna, especialmente o consumo das famílias, mostrou sinais de enfraquecimento, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou modestamente em comparação ao trimestre anterior, crescendo 0,1%.

Mercado de ações registra novo recorde despite desaceleração do PIB

Contrariando a tendência de desaceleração econômica, a Bolsa de São Paulo, a B3, atingiu ontem seu 31º recorde do ano, com o índice Ibovespa encerrando o dia em 164.468 pontos, a maior marca da série histórica. Desde janeiro, o índice acumula alta de 36%, e na sessão de ontem, valorizou-se 1,68%.

Analistas explicam que essa disputa entre indicadores sugere uma expectativa de recuo dos juros no Brasil, que incentiva a compra de ações e reforça a valorização do mercado de títulos.

Perspectivas para juros e impacto na economia

Segundo especialistas, a recente alta na Bolsa acompanha a expectativa de que o Banco Central poderá reduzir a taxa de juros, atualmente em 15% ao ano, em breve. A análise de mercado destaca que a decisão de corte de juros dependerá da evolução da inflação, que, de acordo com o ex-diretor do BC José Júlio Senna, será avaliada com base na projeção de inflação para os próximos 18 meses.

Enquanto isso, o PIB do País mostra sinais de desaceleração, reflexo da política de juros restritiva. O crescimento de 0,1% no terceiro trimestre ficou abaixo das expectativas do mercado, que previa avanço de até 0,2%, segundo pesquisa do jornal Valor Econômico.

Desaceleração e setores destaque

A redução do ritmo de crescimento foi influenciada pelo desaquecimento do consumo doméstico, que avançou apenas 0,4% na comparação com o mesmo período de 2024 — o pior desempenho desde 2021. A analista do IBGE, Claudia Dionisio, afirmou que “a política monetária contracionista, com certeza, está contribuindo para esse freio”.

Por outro lado, setores voltados às exportações, como a agropecuária e a indústria extrativa, mostraram forte crescimento, com altas de 10,1% e 11,9%, respectivamente. Essas atividades foram responsáveis por mais da metade do crescimento de 1,8% do PIB do trimestre, demonstrando o impacto positivo da demanda externa, mesmo diante de tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.

Futuro da política monetária e o mercado financeiro

O clima de otimismo na Bolsa é sustentado pela percepção de que a atividade econômica estaria deixando para trás o superaquecimento. O economista Bráulio Borges afirmou que “a economia deixou de ser caracterizada por um quadro de superaquecimento”, destacando a redução nas despesas do governo como fator de freio na atividade.

Apesar da desaceleração, analistas apontam que a expectativa de cortes na taxa de juros ainda é provável, mas podem ser adiados devido à possibilidade de reaquecer da demanda em 2026, influenciada por medidas como aumento da isenção do Imposto de Renda e gastos adicionais dos estados em ano eleitoral.

Desempenho dos setores econômicos

Os setores de agropecuária e indústria extrativa se destacaram pelo desempenho positivo, com crescimento de 10,1% e 11,9%, respectivamente, sobre o mesmo período do ano anterior. A agropecuária impulsionou o resultado com alta de 0,4% e a indústria extrativa, de petróleo, gás e minerais, saltou 0,8%.

O que esperar para o mercado de ações

De acordo com o banco de investimentos JP Morgan, a tendência de valorização da Bolsa deve continuar, impulsionada por expectativas de que o Ibovespa possa alcançar 230 mil pontos até o fim de 2024, em um cenário de “bull market”. Para os analistas, a redução de incertezas políticas e a possibilidade de reformas estruturais sustentam essa visão positiva, apesar dos desafios econômicos atuais.

Para entender melhor o movimento, vale lembrar que cada ponto do Ibovespa equivale a R$ 1, e o índice reflete a valorização das ações mais negociadas na Bolsa brasileira, compostas por uma carteira com papéis de diferentes setores, incluindo financeiro, commodities e varejo.

Segundo o relatório do JP Morgan, o otimismo deve continuar, mesmo com o cenário de desaceleração, dada a expectativa de estabilização da inflação e o fortalecimento das perspectivas para mercados emergentes.

Para mais detalhes, confira a matéria completa.

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