Brasil, 28 de janeiro de 2026
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Brasil sem tilápia? Lista de espécies invasoras é suspensa temporariamente

A Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras, que incluía a tilápia, foi suspensa temporariamente nesta quinta-feira (4) pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), do Ministério do Meio Ambiente. A decisão busca consultar setores econômicos antes de estabelecer novas medidas de controle.

Tilápia na lista de espécies invasoras e suas implicações

Considerada exótica por não ser nativa do Brasil, a tilápia, do continente africano, entrou na lista devido ao avanço em rios fora das áreas de produção, o que causa desequilíbrios ambientais, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. A espécie, científicamente reconhecida como Oreochromis niloticus, pode competir com espécies nativas e afetar a biodiversidade local.

Por que a tilápia é considerada invasora?

Especialistas explicam que a tilápia apresenta características que elevam o risco de invasão, como sua resistência a ambientes poluídos, capacidade de escapulir dos criadouros e domínio sobre outros peixes em habitats naturais. “Ela pode competir por recursos e alterar a composição de nutrientes nos ecossistemas”, destaca Jean Vitule, professor de Ecologia na Universidade Federal do Paraná.

Repercussões e polêmica no setor

A inclusão gerou preocupação entre piscicultores e dentro do próprio governo. O Ministério da Pesca e Aquicultura chegou a elaborar um parecer técnico pedindo a retirada da tilápia da lista, alegando que a medida poderia elevar custos de licenciamento e prejudicar negociações internacionais.

Segundo Juliana Lopes da Silva, diretora do Departamento de Aquicultura em Águas da União, a medida traria insegurança jurídica e atrasaria a concessão de licenças para criação da espécie. Já Jairo Gund, da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), afirmou que a liberação das novas licenças deve ser ainda mais postergada.

Impactos ambientais e dificuldades de controle

De acordo com Jean Vitule, a tilápia é territorialista e predadora, competindo por espaço e recursos com espécies nativas. Estudo recente dele revelou que o peixe consegue adaptar-se a ambientes salinos e poluídos, podendo ser encontrado até no mar — uma característica que amplia o risco de invasão.

As fugas de peixes dos criadouros aumentam durante eventos climáticos extremos, o que contribui para a presença da tilápia em rios como o Guaraguaçu, no Paraná, onde já foi constatada sua presença em áreas de conservação, elevando o risco de parasitas e contaminação de espécies nativas.

Próximos passos e perspectivas

O Ministério do Meio Ambiente comunicou que haverá novas consultas aos setores de economia para definir medidas de controle mais adequadas ao estabelecimento de políticas de manejo, com foco na prevenção de invasões biológicas. A expectativa é que a lista seja reavaliada em breve, com a possível reinclusão ou novas delimitações para espécies exóticas.

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