Brasil, 31 de dezembro de 2025
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A evolução das campanhas de recrutamento militar na Ucrânia

Na Ucrânia, os anúncios de recrutamento militar tornaram-se uma presença marcante, visíveis em outdoors, cartazes e pontes urbanas. Criadas por unidades específicas que buscam voluntários, essas campanhas evoluíram desde o início da guerra, refletindo a transição nos sentimentos da população em relação ao conflito e à militarização.

A primeira fase: chamando para a luta

Em 2023, com a necessidade urgente de recrutas para enfrentar a invasão russa, campainhas de recrutamento começaram a surgir. Um dos primeiros exemplos foi a campanha da Terceira Brigada de Assalto, que mostrava soldados em batalhas, com o slogan “Junte-se à batalha decisiva”. O tom vigoroso capturou a determinação inicial da população, mas à medida que a guerra se arrastava, essa empolgação começou a diminuir.

Transformação do discurso: do chamado à glamorização

Após os primeiros meses de conflito, com o desgaste da guerra, as campanhas começaram a mudar. Anúncios mais recentes enfatizavam que se alistar não significava uma ida imediata para a linha de frente. Alguns até glamorizavam a vida militar, apelando para o orgulho nacional e destacando a importância de defender o país.

“Queríamos mostrar que, se você não lutar agora, a escuridão prevalecerá”, afirmou Khrystyna Bondarenko, chefe de mídia da Terceira Brigada de Assalto. As campanhas começaram a expressar a luta como uma batalha existencial, utilizando imagens de soldados enfrentando zumbis, simbolizando a desumanização e a mentalidade dos soldados russos.

Novas estratégias: recrutamento diversificado

Com o desgaste dos conflitos e a frustração crescente entre a população, a necessidade de recrutar soldados se tornou mais complexa. Assim, começou a ser promovido o conceito de que a vida no exército não se resumia apenas ao combate. As brigadas começaram a destacar funções não-combatentes, oferecendo um panorama mais abrangente sobre o que significava servir no exército.

Por exemplo, a unidade Azov lançou uma campanha com o tagline “O exército precisa de várias profissões”, mostrando mãozinhas segurando ferramentas como um estetoscópio ou uma chave inglesa, evidenciando que o exército também precisa de médicos, mecânicos e técnicos.

Superando o temor: promessas de treinamento e carreira

Além disso, para contrabalançar o receio de serem enviados para a linha de frente sem o devido treinamento, algumas brigadas, como a Khartiia, começaram a prometer formação ao estilo da OTAN e apoio financeiro, usando imagens que mostravam membros da brigada parecendo mais com trabalhadores de tecnologia do que com soldados, enfatizando que cada recruta seria utilizado de acordo com suas habilidades.

“Sempre precisamos de pessoas com boas habilidades comerciais”, pontuou Vsevolod Kozhemyako, fundador da Khartiia, ressaltando a importância de reconhecer os talentos individuais dentro da estrutura militar.

Revolução cultural: o exército como estilo de vida

À medida que a mobilização se intensificava, especialmente no verão de 2024, o exército começou a reformular sua imagem, promovendo a vida militar como uma carreira atrativa. Cartazes promoviam soldados trabalhando em ambientes urbanos, comparando sua função a de profissionais de negócios. A campanha da Khartiia, “Cresça com a Khartiia”, transmitiu a mensagem de que a carreira militar poderia ser um passo inteligente na vida de alguém.

Presentes em muitos dos anúncios, soldados cuidadosos interagindo com crianças e cães mostravam uma faceta mais humana e otimista do serviço militar, focando na qualidade de vida e na normalidade, mesmo em tempos de guerra. “Queremos mostrar que a vida continua mesmo durante a guerra”, reiterou Bondarenko, refletindo uma mudança significativa no tom das mensagens de recrutamento.

Um olhar para o futuro: recrutamento adaptado às novas gerações

Com a guerra se arrastando e perspectivas de um confronto prolongado sofrendo mudanças, as unidades militares começaram a ampliar suas visões e estratégias. A Terceira Brigada e outras unidades se transformaram em corpos mais robustos, buscando não apenas recrutar novos soldados, mas também prestigiar o serviço militar como uma opção de vida moderna e significativa.

Essas transformações nas campanhas de recrutamento na Ucrânia revelam um esforço contínuo para captar a atenção e os corações da população, adaptando-se à dinâmica das realidades cotidianas e ao clima emocional de um país em guerra há tantos anos. Desde a fervorosa chamada para o recrutamento até as imagens de um trabalho digno e de futuro, a forma como a Ucrânia busca formar suas tropas reflete a resiliência e a determinação nacionais em face da adversidade.

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