Os caciques do Partido Liberal (PL) começam a adotar uma nova abordagem em relação à votação referente ao projeto de lei (PL) sobre a dosimetria das penas, que foi apresentado pelo relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Essa mudança ocorre em um momento delicado, já que alguns aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) consideram que essa proposta é a mais adequada para a conjuntura atual, ao invés de continuar insistindo em uma anistia ampla para as recentes condenações.
Divisões na família Bolsonaro e entre aliados
No entanto, a resistência continua a ser forte entre os filhos de Bolsonaro, principalmente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ambos têm sido vistos, especialmente pela base bolsonarista, como figuras que dificultam o avanço das propostas. Eles se opõem veementemente à aprovação de qualquer outra medida que não garanta uma anistia abrangente e irrestrita para aqueles que participaram dos atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro.
De acordo com fontes consultadas pelo Metrópoles, a proposta de dosimetria, ao contrário da anistia total, poderia ser colocada em pauta de forma mais direta e teria mais chances de aprovação, especialmente considerando a crise recente entre o Planalto e o Congresso. Um grupo de aliados do ex-chefe do Executivo acredita que essa alternativa poderia “aliviar” a situação atual.
Com a prisão de Jair Bolsonaro em regime domiciliar em Brasília, após violação de sua tornozeleira eletrônica, a oposição intensificou a pressão para a votação da anistia. Porém, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), já teria sinalizado que o clima político não é favorável para a apreciação da anistia neste momento, sugerindo que a pauta da dosimetria seria uma opção mais viável.
Consequências da estratégia atual dos filhos de Bolsonaro
Um parlamentar próximo à família Bolsonaro comentou ao Metrópoles que a estratégia dos filhos do ex-presidente de optarem por uma abordagem de “tudo ou nada” pode acabar prejudicando não só eles, mas também o próprio pai. Se a proposta de anistia busca um perdão total, a dosimetria propositalmente oferece penas mais brandas, o que, embora não garanta a liberdade imediata de Bolsonaro, poderia resultar em uma redução significativa de sua pena, dada a recente condenação de 27 anos e 3 meses imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A pressão aumenta entre aliados
Com a pressão sobre Hugo Motta aumentada, fica claro que muitos líderes dos partidos no centrão estão relutantes em associar suas imagens com a situação negativa que se instalou em torno da prisão de Bolsonaro. A forma como a prisão foi gerada, decorrente da tentativa de Bolsonaro de violar sua tornozeleira eletrônica, gerou desgastes que os aliados estão querendo evitar. Há um consenso de que políticas que possam atrair ainda mais atenção negativa sobre o ex-presidente não são bem-vindas.
Assim, a opção pela dosimetria parece ser uma forma de contornar os complicados limites políticos atuais, permitindo que a base do ex-presidente mantenha algum controle da situação sem adicionar mais problemas à já conturbada imagem da família Bolsonaro.
Certamente, essa divisão de opiniões e a direção que o PL escolherão seguir nos próximos dias revelarão muito sobre a capacidade de articulação política do partido e do ex-presidente em um cenário de adversidade. A tensão impera à medida que as expectativas se elevam e os próximos passos têm o potencial de impactar profundamente a já conturbada carreira política de Jair Bolsonaro e seus aliados.














