Brasil, 3 de fevereiro de 2026
BroadCast DO POVO. Serviço de notícias para veículos de comunicação com disponibilzação de conteúdo.
Publicidade
Publicidade

Conflito entre apoiadores de Bolsonaro e padre em Curitiba

Apoiadores de Jair Bolsonaro são barrados em missa e geram tumulto na Igreja São Francisco de Paula, em Curitiba.

Na noite desta terça-feira, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vivenciaram um momento de tensão ao serem impedidos de entrar na Igreja São Francisco de Paula, no centro de Curitiba, para participar de uma vigília em apoio ao político, preso sob acusação de envolvimento em uma trama golpista. O incidente ocorreu após a divulgação de uma ordem do Arcebispo Metropolitano, Dom José Antônio Peruzzo, que proibiu eventos políticos em templos católicos da região. Os manifestantes, indignados, rezaram em frente à igreja, em uma deliberada expressão de descontentamento.

Proibições e reações dos apoiadores

A vigília foi parte de uma mobilização promovida pela prefeita de Curitiba, Cristina Graeml (União), que convocou sua base a se reunir em oração pela saúde de Bolsonaro e pela anistia aos presos políticos envolvidos nas acusações de golpe. A prefeita publicou imagens do grupo orando do lado de fora da igreja em suas redes sociais, destacando a mobilização.

No entanto, o acesso dos bolsonaristas à missa foi barrado pelo padre da paróquia. A reação de vários integrantes do grupo foi imediata e intensa. “Agora não bastam mortes na Nigéria, de matar cristão, agora o cristão não pode entrar na igreja?” questionou uma mulher, retratando a indignação que tomou conta dos presentes. Outros presentes reclamaram sobre a proibição do padre, insistindo que “a igreja tem que estar aberta”.

Arautos da indignação

Um dos apoiadores, visivelmente alterado, chegou a dizer que o padre “prova que não tem vergonha” ao deixar o grupo do lado de fora da igreja. Em um vídeo da situação, uma mulher vestida de verde e amarelo pegou um megafone e explicou que a ordem vinda do arcebispo impedia a reza dentro da igreja, declarando: “É uma tristeza imensa para nós, católicos. Desculpem, me dá até vontade de chorar.”

Essa expressão emocional refletiu a frustração de um grupo que vê na vigília uma forma de resistência e solidariedade ao ex-presidente, preso desde que foram levantadas acusações de seu envolvimento em planos de desestabilização da ordem democrática.

A mobilização e a resposta da hierarquia católica

A mobilização, embora atraísse um grupo significativo de pessoas, acabou chamando a atenção da cúpula da Igreja, que rapidamente se manifestou. O arcebispo, Dom José Antônio Peruzzo, que estava fora da cidade, ficou “irritado” ao ser informado sobre a articulação da vigília na sua ausência. Sua determinação de barrar eventos políticos nas paróquias visa evitar a fusão de cerimoniais religiosos com disputas partidárias e controvérsias sociais.

Em seu discurso, a prefeita Cristina Graeml ressaltou a importância de se provar que “os cristãos também têm voz e vez” e pediu apoio a todos os que querem rezar pela liberdade de expressão e pela saúde de Bolsonaro. “Estamos aqui para demonstrar nossa fé e nosso apoio”, enfatizou.

Este confronto entre a obrigação espiritual e a manifestação política continua a gerar debates intensos na sociedade, refletindo o estado polarizado em que o Brasil se encontra atualmente. Essas tensões também levantam questões sobre a autonomia das instituições religiosas frente às pressões políticas externas e internas, e como a comunidade católica lida com a crescente influência das discussões políticas em seu espaço sagrado.

A situação ressalta as complexidades do cenário político atual e a interseção entre religião e política no Brasil, onde muitos cidadãos ainda buscam um espaço para expressar suas crenças e convicções sem a interferência de autoridades religiosas.

A seguir, a situação deverá se desdobrar com as reações da hierarquia católica à mobilização política entre os fiéis e qual será o impacto disso na administração da Igreja local, além de possíveis novas articulações dos apoiadores de Bolsonaro.

PUBLICIDADE

Institucional

Anunciantes