O sacerdote jesuíta e músico Duarte Rosado discute em um novo episódio do podcast “No coração da esperança” como a arte desempenha um papel crucial na espiritualidade e na vivência da fé. Ele acredita que, ao permitir que o Espírito se manifeste, podemos acessar uma “experiência de beleza” que é fundamental para a comunidade cristã.
A nova fase do Sínodo e a busca pela beleza espiritual
O episódio número 10 do podcast promovido pela Rede Sinodal em Portugal é uma parceria entre diversos veículos de comunicação e foca nas reflexões de Duarte Rosado sobre o Sínodo da Igreja. O padre, que é o promotor vocacional da Companhia de Jesus em Portugal, destaca sua experiência como músico e observa que a arte pode ser uma forma eficaz de expressar a fé. “A arte é um veículo para falar de Deus”, afirma ele.
Duarte Rosado lança seu disco intitulado “Um grito chamado Isaías”, inspirado em textos do Antigo Testamento, que serviu de base para o concerto-oração “Isaías e a fragilidade”. O sacerdote ressalta a importância de deixar que o Espírito Santo fale em nossas vidas e como isso pode nos levar a lugares inesperados e transformadores.
Reflexões sobre o documento “Pistas para a implementação do Sínodo”
Ao ser questionado sobre sua interpretação do documento publicado pela Secretaria Geral do Sínodo, Rosado expressou grande esperança em relação ao futuro da Igreja. Ele afirma que o documento representa um passo significativo na verdadeira implementação dos princípios do Concílio Vaticano II, que ainda ressoam nas práticas da Igreja atual. “A digressão do Concílio é demorada, mas ainda estamos a tempo”, afirma.
O sacerdote critica as interpretações divergentes dentro da Igreja, enfatizando a necessidade de uma compreensão unitária voltada para a missão de evangelização. “A missão da Igreja não é a autopreservação, mas sim evangelizar e dar espaço ao Espírito em nosso meio”, finaliza.
O método sinodal como resposta aos sinais dos tempos
Duarte Rosado acredita que o método sinodal é vital neste momento histórico, já que propõe uma abertura à voz de todos os membros da Igreja. “A Igreja deve ser um espaço onde todos podem se expressar. Não podemos nos fechar, devemos responder aos sinais do tempo”, ressalta Rosado.
Ele argumenta que, para recuperar a relevância social da Igreja, é necessário enfrentar questões contemporâneas com transparência e diálogo. A arte, nesse contexto, é vista como uma forma de habitar tensões e perguntas sem a pressa de encontrar respostas. “A vida e a fé não funcionam de forma mecânica. A nós cabe viver as perguntas e permitir que as respostas venham com o tempo”, conclui.
A importância da arte na implementação do Sínodo
Por ser músico, Rosado elabora sua visão sobre a implementação do Sínodo, ressaltando o impacto da arte em diversas expressões. Ele enfatiza que, mais do que o produto final, o processo criativo e a atitude por trás da arte são essenciais para ajudar a comunidade a habitar perguntas e tensões. “A arte não precisa de respostas imediatas”, explica Rosado.
A beleza, segundo ele, é um aspecto fundamental da experiência de fé e da Igreja. Ele sugere que a experiência estética pode favorecer a espiritualidade e, portanto, ser um canal de comunicação com Deus para as pessoas, seja para os crentes ou para aqueles que ainda estão em busca de respostas.
Em conclusão, o padre Duarte Rosado destaca que a arte e a beleza devem ser exploradas como veículos de transmissão da fé. Ao abrir espaços para o diálogo e a reflexão, especialmente em tempos desafiadores, a Igreja pode encontrar novas maneiras de se conectar com a comunidade e com as necessidades do mundo contemporâneo.
Para ouvir o episódio completo e mais reflexões sobre o tema, acesse o podcast “No coração da esperança” na Rede Sinodal em Portugal.


