Após uma reunião estratégica do Partido Liberal (PL) na última segunda-feira (24), marcada pela prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, membros da legenda indicaram que aproveitariam a atual tensão entre o governo e o Legislativo para colocar em pauta a questão da anistia. Esta proposta, que tem sido alvo de articulações da oposição desde o início do ano, ainda não foi votada.
Os opositores ao governo acreditam que a divisão entre o presidente Lula e a cúpula do Congresso pode ser uma oportunidade para avançar com as propostas de anistia. Um integrante do PL comentou que a liberdade para pautar essa questão pode surgir a qualquer momento, dado que “há voto” a favor da medida.
A situação de prisão de Bolsonaro acelerou a mobilização dentro do partido. Na sede nacional do PL, em Brasília, estiveram presentes Michelle Bolsonaro, três filhos do ex-presidente e membros da legenda, discutindo as estratégias futuras. Um dos principais tópicos abordados foi exatamente a anistia. Flávio Bolsonaro (PL), que atuou como porta-voz após a reunião, enfatizou que essa pauta é prioritária para o partido e que não haverá acordo sobre o Projeto de Lei da Dosimetria.

O Projeto de Lei da Dosimetria, que recebeu nova relatoria de Paulinho da Força, não isenta Bolsonaro ou os condenados pelos eventos do 8 de janeiro de suas penas, mas busca apenas revisar as sentenças aplicadas em seus processos. A meta do PL, desde o início, é conseguir uma anistia “ampla, geral e irrestrita”.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), confirmou após a reunião que se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Congresso. Marinho mencionou que a proposta de anistia poderia ser pautada ainda esta semana, reforçando a determinação da oposição: “É para isso que estamos trabalhando”, afirmou.
A crise entre governo e Legislativo
A manobra da oposição encontra respaldo em uma crise institucional que se agrava entre o Planalto e o Congresso. Recently, o presidente da Câmara, Hugo Motta, rompeu relações com Lindbergh Farias, líder do PT, intensificando o desgaste entre o governo de Lula e uma parte significativa do Congresso.
Soma-se a isso a insatisfação de Davi Alcolumbre com a escolha de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Aliados relataram que Alcolumbre reagiu com indignação à decisão de Lula, já que seu candidato preferido, o senador Rodrigo Pacheco, foi ignorado na escolha. Na mesma data da indicação, Alcolumbre convocou a votação de uma pauta considerada bombástica, como uma mensagem clara de descontentamento com a administração federal.
A situação revela um campo fértil para a oposição, que pode se aproveitar dessas fissuras para angariar apoio à proposta de anistia. A cada dia, a tensão entre os diversos setores do governo e o Legislativo se torna mais evidente, criando uma atmosfera propícia para o avanço de pautas controversas, como a anistia, que, caso aprovada, poderá ter um impacto significativo na política brasileira.
Com a anistia como uma questão central, a oposição adequa suas estratégias a um cenário de múltiplas crises que ameaçam a estabilidade do governo. O desenrolar dos acontecimentos nas próximas semanas será crucial para definir se essa proposta será aprovada ou se enfrentará resistência significativa.













