O ex-presidente Jair Bolsonaro se encontra em uma situação delicada, após a ação de tentar violar e queimar a tornozeleira eletrônica na madrugada do último sábado. Essa tentativa de justificar a conduta do ex-mandatário gerou uma série de explicações por parte de seus aliados, que garantem que a situação não se tratou de uma tentativa de fuga, mas de um episódio conturbado, possivelmente relacionado ao seu estado de saúde.
Bolsonaro nega intenção de fuga
Durante a audiência de custódia realizada no domingo, Bolsonaro, que estava sob prisão preventiva, afirmou que passou por um “surto”, o qual atribuiu a provavelmente a medicamentos que estava utilizando. A justificativa foi rápida ao ganhar repercussão nas redes sociais e entre os seus apoiadores. O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, aproveitou a ocasião para negar que seu pai tivesse qualquer intenção de escapar.
Flávio, em um ato de apoio realizado em frente ao condomínio onde Jair Bolsonaro se encontra detido, comentou sobre as dificuldades que o ex-presidente enfrentaria para percorrer uma distância considerável. “Não consigo imaginar qual seria a possibilidade do meu pai conseguir caminhar, talvez mais de 1 km de lá até aqui”, disse durante a manifestação, desmentindo assim boatos circulantes de uma possível fuga.
Defesa a partir de diferentes ângulos
A deputada federal Bia Kicis ofereceu uma versão curiosa, sugerindo que Bolsonaro acreditava que havia uma “escuta” na tornozeleira. Segundo Kicis, o ex-presidente escutou um barulho incomum e, temendo ser escutado, decidiu abrir a tampa da tornozeleira em vez de tentar removê-la. “Ele começa a ouvir um barulho que vinha da tornozeleira. A tornozeleira começou a fazer um barulho, ele achou estranho, achou que pudesse haver uma escuta naquela tornozeleira”, revelou.
Além disso, a deputada alegou que Jair Bolsonaro estava sob a influência de remédios sérios que afetaram sua saúde emocional e mental, o que também justificaria a sua ação. “Ele foi dormir logo depois da troca do equipamento, o que indica que não estava tentando fugir”, afirmou Kicis.
Motivos psicossomáticos e remédios como justificativa
Outro apoiador, o deputado federal Sóstenes Cavalcante, tentou analisar a situação sob uma perspectiva psicossomática. Ele afirmou que o estado do ex-presidente é lamentável e que a tentativa de queimar a tornozeleira pode ter partido de uma pressão psicológica. “Um homem com o estado em que está é de ter pena. Por algum motivo psicossomático, ele pode ter tentado queimar a tornozeleira”, disse durante a vigília.
O vereador de São Paulo, Fernando Holiday, também entrou na discussão, conectando a atitude do ex-presidente aos remédios consumidos para tratar soluços, complementando que, se essa fosse realmente uma tentativa de fuga, Jair Bolsonaro teria cortado a tornozeleira eletrônica e não apenas aberto a tampa.
Decisão do STF e consequências
Atualmente, Jair Bolsonaro continua preso preventivamente após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter a prisão, que foi confirmada após a audiência de custódia. Durante essa audiência, que ocorreu por videoconferência, ficou claro que Bolsonaro não tinha intenção de tentar escapar, mas estava em um estado mental comprometido, levando a sua defesa a buscar justificativas que não comprometessem ainda mais sua imagem e a dos que o apoiam.
A situação de Jair Bolsonaro levanta questões sobre sua saúde mental, e como isso está sendo tratado por seus aliados. A expectativa agora é como essas justificativas vão impactar a percepção pública e a continuidade do processo judicial que enfrenta.
A complexidade dessa situação torna evidente que o ex-presidente ainda possui aliados dispostos a defendê-lo, mesmo em circunstâncias tão adversas. Contudo, as implicações legais de suas ações ainda são incertas e aguardam novos desdobramentos.















