Brasil, 4 de fevereiro de 2026
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Viver no Brasil ainda é mais caro: comparação internacional revela disparidades

Ao ganhar um salário mínimo, brasileiro destina mais da metade do que gasta um trabalhador em Portugal ou nos EUA, revela estudo

Mesmo com leve aumento na renda, os brasileiros continuam enfrentando dificuldades para equilibrar o orçamento, devido ao alto custo de vida e à inflação elevada. Uma comparação realizada pelo g1 entre os gastos com itens básicos no Brasil, Estados Unidos e Portugal mostra que um brasileiro que ganha um salário mínimo destina cerca de 13,22% do seu orçamento para esses itens, enquanto em Portugal esse percentual é de aproximadamente 5,13%, e nos EUA, de apenas 4,08%.

Por que o custo de vida no Brasil é mais alto?

Segundo especialistas ouvidos pelo g1, essa disparidade ocorre devido a fatores como inflação ainda alta no país e a desvalorização do câmbio, que mantém os preços elevados. Apesar de uma melhora gradual na renda real apresentada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços continuam a pressionar o orçamento das famílias, especialmente as de baixa renda.

Impacto da inflação e do câmbio

Dados do IBGE indicam que o rendimento médio dos brasileiros, já descontada a inflação, atingiu R$ 3.540 no terceiro trimestre de 2024, um aumento de 4% em relação ao mesmo período de 2023. Entretanto, a inflação oficial, medida pelo IPCA, foi de 4,68% em 12 meses, acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%.

Segundo Bertha Rohenkohl, economista e líder de pesquisa do projeto Our World In Data (OWID), embora o Brasil seja considerado pela classificação do Banco Mundial como um país de renda média alta, seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita ainda é menor que o de muitas economias mais desenvolvidas, o que reforça a dificuldade de elevar o padrão de vida.

Comparação internacional dos preços

Para avaliar o custo de vida, o projeto OWID criou o Índice de Nível de Preços (PLI), que considera as Paridades de Poder de Compra (PPP). Esses dados mostram que, em média, os preços de bens e serviços no Brasil são mais caros do que em mais da metade dos 192 países avaliados, em relação aos Estados Unidos, país de referência. Países como Armênia, Bulgária, Romênia e Tailândia apresentam preços menores que no Brasil, mesmo com PIB mais elevado.

Fatores que influenciam o poder de compra

Marko Rissanen, gerente do Programa de Preços e Comparações Internacionais do Banco Mundial, explica que diferenças no poder de compra decorrem de políticas econômicas, distribuição de renda, produtividade, mercado de trabalho e políticas governamentais. “Essas variáveis impactam significativamente a capacidade de consumo das famílias”, diz.

Perspectivas para o futuro

Especialistas afirmam que a percepção de que viver no Brasil está cada vez mais caro deve persistir nos próximos anos. Joelson Sampaio, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que, apesar da melhora na renda média, as desigualdades mantêm o país em um nível de custo de vida elevado. Rohenkohl alerta que fatores como a taxa de câmbio e a produtividade, especialmente no setor de serviços, influenciam diretamente os preços.

Desde 2019, o dólar acumula uma valorização de mais de 32%, atingindo R$ 5,30 na última sexta-feira (14). Ainda que o dólar neste ano tenha se desvalorizado mais de 10%, a moeda permanece acima do período pré-pandemia, o que contribui para a alta nos preços de produtos importados e insumos.

Além disso, fatores como tributação, tarifas de importação e políticas de subsídio também moldam o cenário econômico e o custo de vida no Brasil. Como aponta Rohenkohl, a combinação desses elementos torna difícil reduzir o impacto da inflação sobre o orçamento familiar, especialmente para as classes mais baixas.

A comparação internacional reforça a necessidade de políticas que promovam maior equidade econômica e melhorias estruturais para reduzir o custo de vida dos brasileiros, principalmente quem depende do salário mínimo para sustentar suas famílias.

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