Brasil, 28 de janeiro de 2026
BroadCast DO POVO. Serviço de notícias para veículos de comunicação com disponibilzação de conteúdo.
Publicidade
Publicidade

Conflitos e desfiliações marcam federação entre União Brasil e PP

A federação União Progressista enfrenta disputas internas que ameaçam sua viabilidade antes da formalização.

Ainda em processo de consolidação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação entre União Brasil e PP, batizada de União Progressista, acumula baixas e conflitos locais que ameaçam sua viabilidade antes mesmo da formalização. A promessa de unir duas legendas de perfil liberal-conservador para ampliar o espaço da direita no Congresso e construir um palanque robusto para 2026 transformou-se em um mosaico de disputas regionais, desfiliações e desconfiança entre dirigentes.

Desafios na união das legendas

A federação, articulada pelos presidentes partidários Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União), enfrenta resistência interna e críticas públicas de líderes, como o governador Ronaldo Caiado (União-GO). Para esse grupo, a avaliação é que o projeto acabou amplificando rivalidades locais e acelerando saídas. apesar de dirigentes dos dois partidos reconhecerem as dificuldades, avaliam que desfiliações e debandadas são naturais quando duas legendas grandes se unem e que, ao mesmo tempo que há saídas, novos quadros serão atraídos para os dois partidos.

Em uma federação, os partidos precisam ter a mesma posição nas eleições municipais, estaduais e para Presidência por no mínimo quatro anos. Em troca, somam forças com o fundo partidário, eleitoral, tempo de propaganda e bancadas no Congresso, tornando-se um grupo influente e decisivo nas principais disputas eleitorais do país. O pedido para que a aliança seja formalizada está em estágio inicial e ainda não há um relator definido no TSE. Para valer em 2026, a federação precisa ter o aval da Corte a pelo menos seis meses da eleição, ou seja, em 4 de abril do ano que vem. A perspectiva dos dirigentes é que a autorização saia até lá.

Divisões regionais e desfiliações

Mesmo com as disputas regionais, as cúpulas nacionais das duas legendas afirmam que a federação irá se concretizar e que a aliança entre União e PP será benéfica para ambas. No entanto, há contestação. O governador Caiado expressou suas preocupações: “Essa tentativa de federação está levando à perda de deputados e a conflitos internos na maioria dos estados. O mais prudente seria rever o processo e continuar aliados, respeitando as características de cada estado.”

Um dos casos de divergência mais emblemáticos ocorreu no Paraná, onde dois dos principais nomes da bancada ruralista romperam com o bloco. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion, deixou o PP e se filiou ao Republicanos, em movimento avalizado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Já o deputado Felipe Francischini também deve deixar o União e migrar para o Podemos, partido que passa por uma reestruturação sob seu comando e deverá integrar o grupo do governador Ratinho Júnior (PSD) na disputa estadual de 2026.

As desfiliações acontecem em meio ao fortalecimento do senador Sergio Moro (União-PR) no partido. Ele recebeu o aval da cúpula nacional da sigla para uma intervenção no diretório estadual do Paraná. Moro é pré-candidato a governador e tem liderado as pesquisas. Por outro lado, Francischini e Lupion são aliados de Ratinho, que ainda vai decidir quem irá apoiar como sucessor. A tendência é que seja um nome do PSD e rivalize com Moro. O PP é da base de Ratinho e demonstrou contrariedade com a pré-candidatura do ex-juiz.

Conflitos nos estados

Além das disputas internas de poder, há também divergências pelo comando da federação nos maiores colégios eleitorais, mesmo na ausência de atritos diretos entre os dois partidos. No Rio de Janeiro, por exemplo, o diretório do União está dividido entre alas que defendem candidaturas contra o prefeito Eduardo Paes (PSD) e aquelas que negociam apoio ao atual prefeito. O PP do Rio, embora tenha uma estrutura mais coesa, também não decidiu um rumo claro para a eleição estadual.

O cenário em São Paulo é ainda mais tenso, com o ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União), reivindicando a presidência estadual do bloco, enquanto o deputado Maurício Neves (PP-SP) faz o mesmo com o apoio de sua bancada.

A situação se agrava em outros estados. No Acre, por exemplo, a convivência entre o senador Alan Rick (União) e o grupo do governador Gladson Camelli (PP) é considerada “insustentável”, com líderes locais abandonando as reuniões conjuntas. No Paraíba, o deputado Mersinho Lucena (PP) cogita deixar o partido, ampliando ainda mais o racha interno.

Perspectivas para o futuro da federação

Apesar do racha e das críticas, tanto a liderança do União quanto do PP mantém um discurso otimista quanto à formalização da federação. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, acredita que “a discussão em relação à federação é fato superado”. Para ele, é hora de focar em como fortalecer os projetos para 2026. O mesmo sentimento é compartilhado pela senadora Tereza Cristina (MS), líder do PP no Senado, que acredita que a federação veio para ficar, apesar da necessidade de algumas acomodações ao longo do processo até a definição.

Os integrantes envolvidos nas negociações reconhecem que houve atraso no envio da documentação ao TSE, mas ressaltam que se tratou de problemas burocráticos. Agora, a única etapa restante é o aval da Justiça Eleitoral para que a aliança saia do papel. Além do aval da Corte, a federação precisa atender diversas exigências formais, incluindo a unificação de estatutos e a distribuição de recursos do fundo partidário.

A cúpula das siglas vê as insatisfações dos líderes locais, como Caiado, sob a ótica da disputa eleitoral. Há a expectativa de que líderes regionais encontrem um acordo e que a federalização se concretize, respeitando as particularidades de cada estado e mantendo a unidade diante das próximas eleições.

PUBLICIDADE

Institucional

Anunciantes