Brasil, 2 de janeiro de 2026
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Greve silenciosa e exaustão: por que controladores de tráfego aéreo estão deixando os aeroportos

Presidentes de sindicatos de controladores reconhecem o impacto do governo shutdown na saúde mental e na escassez de profissionais no setor aéreo

Com o governo federal suspenso há 37 dias, controladores de tráfego aéreo enfrentam uma crise de exaustão e aumento nas resignações, agravando o caos nos aeroportos americanos. Segundo o presidente da Associação Nacional de Controladores Aéreos, Nick Daniels, a situação não se trata apenas de uma pausa salarial, mas de um problema sério de segurança e sustentabilidade do sistema.

Controle de tráfego sob pressão: os efeitos do shutdown

Daniels afirmou nesta sexta-feira (22) que uma significativa quantidade de controladores está deixando o cargo devido ao estresse e às dificuldades financeiras. “Estamos vendo controladores se aposentando ou saindo do setor, algo que não víamos em 2019”, revelou. Ele acrescentou que atualmente há cerca de 400 profissionais a menos do que durante a última greve de 2019, agravando a sobrecarga dos que permanecem.

Rotina exaustiva e impacto na saúde mental

Segundo o sindicalista, muitos controladores trabalham seis dias por semana, 10 horas diárias, o que aumenta o risco de burnout. “Os poucos que permanecem, especialmente os novatos, estão sobrecarregados a tal ponto que pedem permissão para levar filhos ao trabalho ou alegam dificuldades de pagamentos básicos,” detalhou Daniels. “Eles estão rascando suas contas de crédito, buscando empréstimos e lutando para sobreviver.”

Resignações em massa e caos operacional nos aeroportos

O Departamento de Transporte dos EUA confirmou um “aumento no número de chamadas de medida de doença” em várias regiões. Apesar de os controladores ainda comparecerem ao trabalho na maioria dos casos, as ausências de uma parcela maior estão forçando a FAA a reduzir o fluxo de tráfego nos principais aeroportos, tentando garantir a segurança.

Medidas de emergência e tensões na negociação

O governo Trump vem restringindo o fluxo em mais de 40 aeroportos, enquanto democratas insistem na inclusão de subsídios à saúde na proposta de acordo para encerrar o shutdown. A disputa política mantém o impasse, e a incerteza sobre o pagamento dos funcionários ainda paira no ar. A FAA declarou que não responde diretamente às perguntas sobre as perdas de controladores, destacando que os problemas de pessoal dificultam o funcionamento normal do sistema aérea.

Consequências e perspectivas futuras

O aumento do absenteísmo, incluído possíveis “sickouts” que ajudaram a encerrar a greve de 2019, está sendo interpretado por alguns especialistas como uma estratégia de protesto silencioso. Daniels reforça que a situação se agravou, e a ausência de salários está dificultando ainda mais a permanência dos profissionais. “Não é uma questão de faltar, é de não poder continuar,” afirmou.

A crise na aviação americana evidencia como o impacto político e financeiro de um shutdown pode ameaçar a segurança e a eficiência do transporte aéreo do país, criando uma crise que desafia o próprio funcionamento do sistema e a saúde dos trabalhadores.

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