A administração Trump está considerando um projeto polêmico que visa a compra de armazéns, anteriormente destinados a clientes como a Amazon, e sua conversão em centros de detenção para imigrantes aguardando deportação. Esta medida, caso seja concretizada, poderá expandir significativamente a capacidade do governo em reter imigrantes.
Estratégia de detenção e eficiência
Embora os armazéns específicos ainda não tenham sido selecionados, a Agência de Imigração e Alfândega (ICE) está avaliando localizações no sul dos Estados Unidos, próximas a aeroportos onde as deportações são frequentemente realizadas. Um oficial do Departamento de Segurança Interna (DHS) comentou que a escolha desses armazéns poderia “aumentar a eficiência” nas deportações.
Esses armazéns, descritos como “mega centros de detenção”, têm em média mais do que o dobro do tamanho das atuais instalações de detenção da ICE. Para se ter uma ideia, um centro de detenção em Tacoma, Washington, abriga 1.500 imigrantes em sua área de 277.000 pés quadrados, enquanto os armazéns da Amazon variam em tamanho, com uma média de 800.000 pés quadrados. O maior armazém da Amazon, localizado em Wilmington, Delaware, possui 3,8 milhões de pés quadrados.
Implicações e reações
Um porta-voz da Amazon confirmou que a empresa não está envolvida em negociações sobre o espaço dos armazéns e que a maior parte de suas instalações é alugada, não própria. Além disso, não está claro quem possui os armazéns que o governo está considerando para compra, e os oficiais do DHS e da Casa Branca não puderam comentar sobre o valor potencial dos acordos.
A proposta de aquisição de grandes armazéns se insere em uma série de ideias não convencionais da administração Trump em busca de espaço para detenção de imigrantes. O ICE enfrenta dificuldades em cumprir suas metas diárias de prisão e preencher vagas de emprego, além de ter passado por mudanças em sua liderança, devido à frustração da Casa Branca.
Financiamento e organização
De acordo com um funcionário da Casa Branca, o ICE usará fundos de um pacote de reconciliação orçamentária assinado pelo presidente Donald Trump para financiar a compra dos armazéns, que, em caso de aquisição, seriam de propriedade da ICE e não de contratos com a indústria penitenciária privada, como ocorre atualmente em outras instalações.
Se concretizadas, as compras têm como objetivo que a ICE converta os armazéns em centros de detenção, operando-os com seus próprios funcionários, ao invés de depender de contratados ou pessoal militar, como era a norma anterior. Esta abordagem reflete uma mudança significativa nas práticas de detenção de imigrantes na gestão atual.
A opinião pública e planos futuros
Uma pesquisa recente do NBC News revelou que 51% dos eleitores acreditam que a administração Trump atendeu às suas expectativas em relação à segurança nas fronteiras e à imigração, enquanto 44% discordam. Além disso, 39% dos eleitores registrados têm uma visão favorável do ICE, enquanto 50% têm uma opinião desfavorável. Uma pesquisa do Pew Research Center revelou que a abordagem geral da administração Trump em relação à imigração é vista de forma mais negativa do que positiva, com apenas 42% aprovando e 47% desaprovando.
Desde que Trump reassumiu a presidência, após promessas de deportações em massa, sua administração tentou diferentes abordagens para as instalações de detenção. Um dos primeiros planos incluiu a realocação de imigrantes para tendas na Base Naval dos EUA em Guantânamo, Cuba, mas essa iniciativa não se concretizou. Atualmente, a administração também se voltou para a detenção em larga escala em tendas no Fort Bliss, Texas, que, apesar de enfrentar obstáculos durante a construção, atualmente abriga mais de 2.000 imigrantes.
Este plano ambicioso da administração Trump pode ter um impacto profundo nas políticas de imigração e no modo como os imigrantes são tratados nos Estados Unidos, sinalizando uma nova era nas operações de detenção de imigrantes.


