Na quarta-feira, o líder da maioria no Senado, John Thune, afirmou que não há votos suficientes entre os republicanos para alterar as regras do Senado, enquanto o ex-presidente Donald Trump pediu a revogação do filibuster durante um encontro na Casa Branca. Essa pressão de Trump ocorre em meio a uma shutdown governamental que já dura 36 dias, nos levando a refletir sobre o futuro das relações políticas nos Estados Unidos.
A resistência ao filibuster entre os republicanos
Thune, um defensor vocal da regra que requer 60 votos para a aprovação da maioria das questões legislativas, expressou ceticismo sobre a possibilidade de Trump convencer membros reticentes a mudar de opinião. “Eu não duvido que ele tenha certa influência sobre os membros, mas eu sei onde está a matemática nesta questão no Senado, e… simplesmente não está acontecendo”, disse Thune.
Além de Thune, outros senadores republicanos como Mike Rounds e John Kennedy também se mostraram cautelosos sobre a revogação do filibuster. Durante uma reunião com Trump, Rounds reconheceu que o presidente fez “um ponto realmente bom”, mas não se comprometeu a apoiar a mudança. Kennedy acrescentou que “o papel de um senador é não apenas promover boas ideias, mas também matar ideias ruins”, defendendo a importância do filibuster, especialmente se os republicanos voltarem à minoria.
Trump e a urgência econômica
A pressão de Trump se intensifica não apenas por questões partidárias, mas também pela crescente frustração pública causada pela shutdown. Ele argumenta que o impacto da paralisia governamental pode se tornar um fardo mais pesado para os republicanos em futuras eleições. Senadores como Josh Hawley começaram a mudar suas visões sobre o filibuster, expressando que prefeririam priorizar a alimentação das pessoas em vez de defender regras arcaicas se isso significar acabar imediatamente com a crise.
Thune, mencionando a certeza de que Trump “acredita honestamente” na revogação do filibuster, desviou o foco para a necessidade urgente de reabrir o governo. “Estamos enfrentando o mais longo shutdown da história”, acrescentou.
O cenário eleitoral e suas consequências
Na esteira das recentes derrotas eleitorais para os republicanos, incluindo vitórias democráticas em várias corridas, Thune afirmou que os resultados eram “praticamente esperados” e que a prioridade agora deve ser abordar as questões que importam para os americanos. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, elogiou os resultados eleitorais como um chamado claro para os republicanos se envolverem em negociações com os democratas para acabar com a shutdown.
Schumer e outros líderes democratas pressionam por um encontro bipartidário, reiterando que é hora de discutir soluções para a saúde pública e a crise governamental. “Estamos pedindo uma reunião há semanas, e os resultados das eleições deveriam servir como um alerta para que Trump se sente à mesa e trabalhe conosco para resolver essa crise”, concluiu Schumer.
Enquanto esse cenário se desenrola, a atenção se volta para a posição da liderança republicana no Senado e como isso influenciará o futuro do filibuster e a capacidade de o governo funcionar eficientemente. Resta saber se a pressão de Trump terá algum impacto significativo, ou se a resistência interna se mostrará mais forte do que sua influência.
Esse desenvolvimento político não apenas moldará o futuro imediato do Congresso, como também pode redefinir o que significa ser um republicano nos próximos anos.


