Um novo relatório da Oxfam America publicado nesta segunda-feira revela que a riqueza coletiva dos 10 bilionários mais ricos dos EUA cresceu impressionantes US$ 698 bilhões no último ano. Esse aumento alarmante ilustra a crescente disparidade de riqueza no país e levanta questões sobre as políticas que permitem tal concentração de riqueza.
Desigualdade crescente e suas consequências
O relatório da Oxfam adverte que as políticas da administração Trump podem impulsionar ainda mais a desigualdade nos Estados Unidos, embora reconheça que tanto administrações republicanas quanto democratas contribuíram para o aumento da lacuna de riqueza. Usando dados do Federal Reserve de 1989 a 2022, os pesquisadores descobriram que a classe mais rica, composta pelo 1% dos lares, acumulou 101 vezes mais riqueza do que a média das famílias durante esse período. Para o 20% da população que ganha menos, essa desigualdade é ainda mais acentuada, com o 1% detendo 987 vezes mais riqueza.
Esse crescimento desproporcional traduz-se em um ganho médio de US$ 8,35 milhões por família para o topo da cadeia, enquanto as famílias medianas viram sua riqueza aumentar em apenas US$ 83 mil.
Impacto na população americana
Dados alarmantes indicam que mais de 40% da população dos EUA, incluindo quase 50% das crianças, é classificada como de baixa renda, com rendimentos familiares inferiores a 200% da linha de pobreza nacional. Comparando os dez países com as maiores economias da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os Estados Unidos possuem a mais alta taxa de pobreza relativa, a segunda maior taxa de pobreza infantil e mortalidade infantil, e a segunda menor expectativa de vida.
Rebecca Riddell, líder sênior de políticas de justiça econômica na Oxfam America, afirma: “A desigualdade é uma escolha de políticas. Essas comparações nos mostram que podemos fazer escolhas muito diferentes quando se trata de pobreza e desigualdade em nossa sociedade.”
Análise das políticas que perpetuam a desigualdade
O relatório destaca como sistemas existentes nos Estados Unidos, incluindo o código tributário, as redes de segurança social e os direitos dos trabalhadores, foram lentamente desmantelados, permitindo que a riqueza concentrada resultasse em poder concentrado. A proposta de reforma tributária apresentada por Donald Trump em maio, considerada uma das maiores transferências de riqueza nas últimas décadas, foi criticada por favorecer os ricos e as corporações.
No entanto, essa tendência não é exclusiva dos republicanos. Riddell enfatiza que “os formuladores de políticas têm escolhido a desigualdade, e essas escolhas tiveram apoio bipartidário”. Reformas políticas nas últimas quatro décadas, que vão desde cortes nos impostos até a redução da rede de segurança social, obtiveram apoio de ambos os lados da política americana.
Recomendações para reverter a desigualdade
As recomendações de políticas delineadas no relatório podem ser agrupadas em quatro categorias: reequilibrar o poder por meio de reformas no financiamento de campanhas e políticas antitruste; usar o sistema tributário para reduzir a desigualdade através de impostos sobre os ricos e as corporações; fortalecer a rede de segurança social; e proteger os sindicatos.
Essas soluções, no entanto, enfrentam desafios políticos devido ao estigma histórico associado à assistência social e à tributação. O relatório menciona o conceito de “rainha do bem-estar”, popularizado durante a presidência de Ronald Reagan nos anos 1980, e indica que a tributação sempre foi vista como repressiva, em vez de uma ferramenta para enfrentar a desigualdade.
Um momento de oportunidade
Riddell acredita que o verdadeiro nécessaires é uma política diferente, focada em entregar resultados para as pessoas comuns por meio da redução rápida da desigualdade. “Existem reformas sensatas e comprovadas que poderiam ajudar a inverter as tendências preocupantes que observamos”, diz. O relatório também apresenta entrevistas com líderes comunitários que trabalham ativamente para reduzir a desigualdade, sublinhando que, apesar de progressos escassos no cenário nacional, muitos americanos começam a se conscientizar de que a configuração atual beneficia apenas os que estão no topo.
“Acho brilhante que eles vejam isso como uma oportunidade”, conclui Riddell, ressaltando a importância de reconhecer o poder coletivo neste momento de desafios.


