Brasil, 4 de fevereiro de 2026
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Presidente do Federal Reserve de Chicago reflete sobre cortes de juros em dezembro

O presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee, expressa incertezas sobre cortes de juros, citando preocupações com a inflação.

O presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee, declarou estar indeciso sobre a possibilidade de um novo corte nas taxas de juros durante a reunião de dezembro. Em entrevista ao Yahoo Finance, ele demonstrou preocupação em relação aos níveis de inflação e à escassez de dados econômicos oficiais que possam auxiliar na tomada de decisão. “Estou nervoso sobre o lado da inflação, que está acima da meta há 4,5 anos e está tendendo na direção errada”, afirmou Goolsbee.

Desafios na política monetária

A inflação continua a ser um tema delicado para o Federal Reserve. Durante o ano, Goolsbee e outros membros do Fed cortaram as taxas de juros em duas ocasiões, resultando em uma nova faixa de 3,75% a 4%. No entanto, Goolsbee mencionou sua preocupação sobre o “front-loading” dos cortes, uma vez que a inflação núcleo, que mede os preços excluindo alimentos e energia, tem se mantido elevada, com 3,6% em termos anualizados nos últimos três meses.

“Isso é preocupante porque está indo na direção errada”, destacou Goolsbee. A meta de inflação do Fed é de 2%, e os dados recentes indicam que a inflação pode não apenas estar longe do ideal, mas também em ascensão. A estabilidade do mercado de trabalho, com taxa de desemprego em 4,3%, oferece um panorama misto. Embora a taxa não tenha aumentado nos últimos 12 meses, Goolsbee alertou que uma deterioração significativa no mercado de trabalho mudaria o equilíbrio de riscos.

O impacto da falta de dados econômicos

A falta de dados econômicos devido à paralisação do governo nas últimas semanas tem complicado ainda mais a situação. Dados cruciais, como o relatório de empregos e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), não estão sendo divulgados, o que impede uma análise mais precisa da economia. Goolsbee comentou que, mesmo que o governo reabra antes da reunião de política monetária em 9 e 10 de dezembro, os dados disponíveis ainda seriam limitados, levando os membros do Fed a depender de informações do setor privado.

A governadora do Federal Reserve, Lisa Cook, e a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, coincidiram com Goolsbee em suas declarações sobre a incerteza da política monetária. Cook enfatizou que “a política não está em um caminho predeterminado” e que “cada reunião, incluindo a de dezembro, é uma reunião ao vivo”. Daly, por sua vez, falou sobre a necessidade de continuar pressionando para baixo a inflação, mas cautelosa em não prejudicar o mercado de trabalho ao mesmo tempo.

A perspectiva futura e as preocupações com a inflação

As incertezas em torno do mercado de trabalho e da inflação levantam questões críticas para a política monetária futura. Goolsbee expressou uma preocupação crescente com a inflação em comparação ao mercado de trabalho, especialmente à luz do recente crescimento negativo no emprego reportado em setembro. Empresas como Amazon e UPS anunciaram demissões em massa, enquanto o Livro Beige do Fed notou que mais empregadores estão reduzindo suas vagas devido à demanda mais fraca e incertezas políticas.

Durante a recente conferência de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, mencionou que há divisões entre os membros em relação a cortes adicionais nas taxas de juros, destacando que não se trata de uma conclusão evidente. A maioria dos diretores reconhece que a instituição se aproxima do seu nível neutral, onde as taxas não estimulam nem desaceleram o crescimento.

Goolsbee afirmou: “Estou um pouco mais preocupado com a inflação do que com o mercado de trabalho.” À luz de tudo isso, ele reafirmou que sua disposição para novos cortes é agora mais restrita do que nos encontros anteriores. “Estou um pouco relutante e meu limite para cortar é um pouco mais alto do que era nas últimas duas reuniões”, concluiu.

As próximas semanas serão cruciais para entender como o Federal Reserve navegará por estas águas turbulentas, à medida que os economistas e os analistas observam atentamente qualquer sinal que possa indicar uma mudança nas políticas econômicas do país.

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