Alexandre Guimarães, ex-diretor de Governança do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), fez uma revelação contundente durante seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre fraudes na autarquia. Ele afirmou ter aberto uma empresa para atender à demanda de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, um nome que tem estado no centro das investigações. As declarações foram feitas nesta segunda-feira (27/10), levantando mais perguntas sobre o papel de Guimarães na crise que assola o INSS.
Relações comprometedoras e a abertura da empresa
Durante seu depoimento, Guimarães revelou que a decisão de abrir sua empresa, a Vênus Consultoria, foi influenciada por sua proximidade com Antunes, do qual disse ter se tornado amigo, inclusive saindo para bebidas algumas vezes. “Assim que saiu a Operação Sem Desconto, eu prestei serviço em maio e depois encerrei. Pedimos, lógico, com a imagem negativa que estava, e meu nome também, decidimos encerrar a empresa”, explicou Guimarães, reconhecendo a pressão da operação policial que investigou o esquema de descontos indevidos em benefícios a aposentados.
Investigações e o escândalo do INSS
O escândalo do INSS, amplamente coberto pelo portal Metrópoles desde dezembro de 2022, revelou que a arrecadação com descontos de mensalidades de aposentados havia aumentado drasticamente, alcançando a soma de R$ 2 bilhões ao longo de um ano. As investigações, desencadeadas por uma série de reportagens, culminaram na Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF), que ocorreu em abril de 2023 e resultou na demissão de altos cargos do INSS e do Ministério da Previdência.
A Operação Sem Desconto revelou que Guimarães tinha relações financeiras com Antunes. Segundo informações da PF, o ex-diretor recebeu R$ 2 milhões do “Careca do INSS”, com os pagamentos sendo realizados através de suas respectivas empresas. Guimarães comentou que sua consultoria surgiu para atender a demanda da Brasília Consultoria, empresa de Antunes, mas acabou encerrada devido ao escândalo.
O papel da mídia nas investigações
O trabalho investigativo do Metrópoles foi fundamental para expor o que se passou dentro do INSS e levou a consequências severas. Com 38 reportagens sendo utilizadas pela PF como base para a abertura do inquérito, o portal desempenhou um papel crucial na luta contra a corrupção dentro da autarquia e na proteção dos direitos dos aposentados que estavam sendo prejudicados pelas fraudes.
Novos desdobramentos e suspeitas
As investigações, conforme revelado pelo Metrópoles, não param por aí. A PF aponta que outros montantes foram transferidos a Guimarães por Antunes, incluindo R$ 313,2 mil recebidos entre março e maio de 2023. Essas transferências reforçam as suspeitas sobre a profundidade e a extensão da corrupção que assolou o INSS nos últimos anos, especialmente durante a gestão de Guimarães, que esteve à frente da Diretoria de Governança entre 2021 e 2023.
Guimarães, economista e servidor público de carreira, foi nomeado em um cenário político instável, precisando lidar com a pressão e as implicações que sua posição e as suas decisões gerariam. Ele foi escolhido para o cargo durante o governo de Jair Bolsonaro e, com a mudança de administração, também encontrou um novo contexto a ser enfrentado.
Reflexão sobre ética e governança
A situação levantada por Guimarães deve servir como um alerta sobre a importância da ética e da governança nas instituições públicas. A revelação de que um ex-diretor do INSS, uma entidade que deveria zelar pelo bem-estar dos aposentados, esteve envolvido em práticas questionáveis, ressalta a necessidade de continuar vigilante e à procura de regulamentações mais rígidas que garantam a integridade das operações dentro da autarquia.
À medida que as investigações prosseguem, a população aguarda por respostas e ações contundentes que não apenas punam os envolvidos, mas que também reestabeleçam a confiança nas instituições responsáveis pela previdência social no Brasil.













