Em um breve encontro de 39 segundos durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, os presidentes Lula e Trump acenderam discussões sobre a dinâmica do tempo nas eleições. Este momento, embora curto, pode representar uma mudança substancial na relação entre Brasil e Estados Unidos, refletindo não apenas no campo diplomático, mas também nas nuance das eleições que se aproximam.
O tempo como fator decisivo nas eleições
A mitologia grega sugere a coexistência de dois aspectos do tempo: Cronos, que representa o tempo quantitativo, e Kairós, que simboliza o tempo qualitativo e os momentos decisivos. Em se tratando de eleições, essa dualidade se torna cada vez mais evidente. Um ano pode parecer uma eternidade, mas na arena eleitoral, isso é transformado. A intensidade de Kairós em períodos críticos pode ser muito mais poderosa que o tempo cronológico e pode decidir a direção das eleições.
A corrida eleitoral presidencial no Brasil já apresenta Lula liderando as pesquisas a um ano da eleição. Esse fato é significativo, pois Lula, como atual presidente, carrega a responsabilidade e a expectativa de seus suportes, mas isso também levanta uma questão: a liderança nas pesquisas é um reflexo do que acorreu no passado ou é um indicador robusto para o futuro?
Lições do passado e mudanças no cenário político
O histórico das eleições brasileiras mostra que os resultados podem ser volúveis. Um exemplo notável ocorreu em 1989, com a candidatura surpreendente de Silvio Santos, a poucos dias da eleição, que tumultuou a disputa. Essa incerteza se manifesta também em anos seguintes, como em 1994, quando Lula começou a corrida com uma sólida vantagem sobre Fernando Henrique Cardoso, mas perdeu a eleição no primeiro turno, quando era esperado que vencesse.
A trajetória de Lula é marcada por altos e baixos. Em 2006, o escândalo do mensalão ameaçou sua popularidade, mas, com uma forte base de apoiadores, conseguiu conquistar a confiança do eleitorado novamente. Da mesma maneira, em 2010, com a ascensão de Dilma Rousseff, percebemos que as estratégias eleitorais e a presença do horário eleitoral gratuito podem mudar a percepção dos eleitores. O mesmo aconteceu em 2014, quando a morte de Eduardo Campos trouxe Marina Silva para o centro das atenções, levando a uma rápida mudança no cenário eleitoral.
O contraste mais agudo, no entanto, é evidenciado nas eleições de 2018, quando a polarização se aprofundou transformando Jair Bolsonaro em forte candidato em meio à crise política e ao clima de descontentamento popular. Mesmo estando preso, Lula liderava as pesquisas. Isso revela que mesmo em situações adversas, o eleitor pode ser atraído por estratégias de comunicação e apelos ideológicos.
Reflexão sobre o futuro: o equilibro entre o tempo e a decisão eleitoral
Com as eleições de 2022, as tensões políticas intensificaram-se. Os números mostram que havia um movimento claro da parte do eleitorado tentando evitar uma vitória de Lula, que liderou o processo eleitoral sob o efeito da má gestão da pandemia. O que podemos notar é que os eleitores estão cada vez mais tendendo a adiar suas decisões até o último momento, o que pode gerar surpresas inesperadas nas urnas.
Como expressam os comentaristas políticos, é importante perceber que uma eleição não se ganha na véspera. O poder do momento certo, da condução adequada e das rápidas decisões têm um papel fundamental no resultado final. A conclusão é que, no universo das eleições, o tempo é um adversário imprevisível, e não existem fórmulas mágicas que garantam vitórias.
Como mencionado, o jogo não é decidido apenas pelos números. Uma análise cuidadosa da interação entre esses dois tempos pode revelar estratégias valiosas. O desafio será navegar nesse espaço e tempo, garantindo que as decisões sejam tomadas de forma consciente e estratégica, respeitando a dinâmica da opinião pública e suas rápidas mudanças de percepção.
O tempo, ora opressor, ora favorável, é um personagem central nas eleições, e a sabedoria está em saber quando agir e qual é o momento decisivo. Para os políticos, isso significa estar sempre atentos, preparados para as reviravoltas que podem acontecer até os últimos momentos da disputa eleitoral.
*Mauro Paulino e Alessandro Janoni trazem à tona a experiência acumulada em mais de 20 anos de observação das eleições, trazendo um olhar crítico e profundo sobre o comportamento do eleitorado e a influência dos tempos em jogo.*















