Brasil, 8 de fevereiro de 2026
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Esposa do ex-procurador do INSS se nega a responder perguntas na CPMI

Thaisa Hoffmann Jonasson, esposa do ex-procurador-geral do INSS, permaneceu em silêncio durante depoimento investigativo sobre fraudes.

No dia 23 de outubro, Thaisa Hoffmann Jonasson, esposa do ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, prestou depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Desde o início do processo, Thaisa manteve silêncio quase absoluto, sendo identificada como uma possível figura-chave em um esquema de desvio de recursos destinados a aposentados e pensionistas.

Silêncio como estratégia

Thaisa, que é proprietária de empresas de consultoria, invocou um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que a protege de autoincriminação. Durante a sessão, sua advogada, Izabella Hernandez Borges, informou que Thaisa não se sentiria segura para fazer quaisquer declarações, uma vez que figura como investigada no caso. Este direito a permanecer em silêncio foi uma estratégia adotada em um ambiente de crescente pressão e suspeitas.

Desvio de recursos

As investigações realizadas pela CPMI revelam que o esquema de fraudes pode ter movimentado cerca de R$ 18 milhões. A operação foi amplamente assistida por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que é acusado de movimentar até R$ 2 bilhões através de operações fraudulentas.

As empresas de Thaisa, incluindo Curitiba Consultoria e Centro Médico Vitacare, teriam recebido quase R$ 11 milhões do Careca do INSS. Outra empresa, a THJ Consultoria, também está relacionada com a quantia de R$ 3,5 milhões, proveniente de um núcleo do esquema baseado em Sergipe, segundo informou o relator da CPMI, Alfredo Gaspar.

O papel das fraudes

A CPMI está apurando um esquema que, segundo relatos, teve como essência a falsificação de autorizações de idosos, transformando-os em usuários mensais de serviços oferecidos por associações e sindicatos. Frases, como “os acordos com o INSS eram usados irregularmente para descontar mensalidades das aposentadorias e pensões”, revelam a gravidade da situação. O relator Gaspar destacou que Thaisa poderia ser vista como “uma lavadora de dinheiro dos aposentados e pensionistas”, se revelaria uma oportunidade de esclarecer seu papel e negar que tenha recebido propina.

“É uma pena que a senhora saia desta CPMI como lavadora de dinheiro dos aposentados e pensionistas”, declarou o relator Alfredo Gaspar.

Pagamentos discutidos

Durante o depoimento, Thaisa alegou que a quantia recebida de empresas ligadas a Antunes fora apenas por serviços de pareceres médicos. Como médica endocrinologista, ela detalhou que seus serviços visavam tratar condições de saúde de idosos e que apresentaria documentos para comprovar que teve trabalhos efetivos a partir de 2022.

“O meu objetivo é trazer essa informação de maneira muito mais detalhada para que o idoso possa ter qualidade de vida”, afirmou Thaisa em uma de suas raras intervenções.

Imóvel de alto valor

Cabe destacar que a questão dos pagamentos é acompanhada de perto pela CPMI, que também investiga a aquisição de um imóvel por R$ 28 milhões em Santa Catarina por parte de Virgílio. O relator ainda mencionou que Virgílio teria adquirido um carro Porsche após a deflagração da Operação Sem Desconto, considerando tal aquisição incompatível com os rendimentos de um servidor público.

O presidente da CPMI, Carlos Viana, destacou que Thaisa aparenta ter sido bem orientada por sua defesa legal. Ele reforçou que a situação, envolvendo um ex-procurador do INSS e um luxuoso imóvel, é emblemática em relação à corrupção que permeia o caso.

Depoimento do ex-procurador

A CPMI também deve ouvir Virgílio Oliveira Filho em sua próxima sessão, na qual se espera a revelação de detalhes que podem elucidar ainda mais a relação entre os envolvidos no esquema. Os documentos e informações que estão sendo reunidos devem contribuir para um fechamento da investigação, que busca punir responsáveis pelo desvio de verbas públicas em um sistema que deveria proteger os direitos dos beneficiários da previdência.

* Com informações da Agência Senado

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