Com a janela partidária se aproximando, parlamentares brasileiros, especialmente do União Brasil, estão se movimentando em direções estratégicas para trocar de partido entre março e abril de 2026. Este é o período em que os deputados podem mudar de legenda sem perder seus cargos, e há relatos de que até 20 deputados do União Brasil estão avaliando essa possibilidade. Atualmente, a sigla conta com uma bancada de 59 parlamentares e, se essa previsão se concretizar, a perda representaria uma redução de cerca de 30% na composição do partido.
A insatisfação com a liderança do União Brasil
A análise do número projetado de saídas é feita pela ala dissidente dentro do União Brasil, composta por deputados que manifestam descontentamento com a liderança do presidente da legenda, Antonio Rueda. Um dos principais motivos para essa desagregação está relacionado às escolhas feitas por Rueda, junto à recente formação da federação União Progressistas, estabelecida em conjunto com o Partido Progressista (PP).
Recentemente, a tensão interna se intensificou com a decisão de Rueda que resultou na permanência do ministro do Turismo, Celso Sabino, no governo Lula, mesmo após a determinação de que ele saísse do cargo. Essa situação levou a uma série de eventos: a saída de Sabino do partido, a abertura de um processo de expulsão contra ele e sua destituição da presidência da sigla no Pará.
Consequências e reações
A ala dissidente do União Brasil vê a maneira como Rueda vem conduzindo a situação como um reflexo de sua relação prejudicada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esse descontentamento se agrava na medida em que a federação União Progressistas, embora anunciada, não conseguiu manter seus membros alinhados devido à resistência de ministros que decidiram permanecer no governo. Além de Sabino, o ministro do Esporte, André Fufuca (PP), também optou por permanecer, apesar do afastamento de ambos de seus respectivos partidos.
Essas divergências podem não apenas afetar as futuras estratégias do União Brasil, mas também instigar um debate mais amplo sobre a necessidade de coesão dentro das federações partidárias. A federação agora enfrenta o desafio de criar uma frente única em estados, o que pode complicar ainda mais a estabilidade interna.
O que vem a seguir?
A janela partidária não representa apenas uma oportunidade para troca de partidos ou títulos, mas deve ser encarada como um momento crucial para os parlamentares repensarem sua posição dentro do atual cenário político. Com as tensões crescendo e a direção do União Brasil cada vez mais questionada, a probabilidade de novos descontentamentos aumentará à medida que o prazo se aproxima.
A saída de parlamentares poderá provocar um realinhamento significativo na Câmara dos Deputados. Se a previsão de 20 deputados se concretizar, o impacto será imediato na influência do União Brasil nas votações e nas negociações políticas em todo o país.
Os próximos meses serão decisivos para o partido e seus integrantes. Com um cenário eleitoral se desenhando, os deputados devem pesar os prós e contras de suas decisões enquanto buscam não apenas manter seus cargos, mas também assegurar sua relevância política e sua conexão com os eleitores.
Nos bastidores, outros partidos também observam essas movimentações de perto, prontos para absorver correligionários descontentes. As próximas semanas prometem ser agitatedas, com surpresas e novos arranjos à vista no cenário político brasileiro.


