Pesquisadores do The Lancet anunciaram a descoberta de dois novos fatores de risco modificáveis para demência, ampliando o entendimento sobre como hábitos e condições de saúde influenciam o desenvolvimento da doença. Os estudos indicam que níveis elevados de colesterol após os 40 anos e a ausência de tratamento para perda de visão aumentam o risco de neurodegeneração.
Novo entendimento sobre fatores de risco para demência
Em levantamento publicado na revista The Lancet, a equipe da Comissão de Demência identificou esses dois fatores com base em análises de várias pesquisas recentes. Assim como outros fatores já conhecidos, como sedentarismo, tabagismo e hipertensão, esses novos elementos também contribuem para quase metade dos casos de demência globalmente.
Como o colesterol alto influencia a saúde cerebral
Segundo especialistas, altos níveis de LDL — o chamado “mau colesterol” — podem provocar o endurecimento dos vasos sanguíneos, dificultando o fluxo de oxigênio para o cérebro, o que, ao longo do tempo, causa danos neuronais. Essa condição, associada à hipertensão e ao diabetes não controlado, favorece a ocorrência de processos neurodegenerativos que levam ao surgimento da demência.
Impacto da perda de visão não tratada
Já a perda de visão não cuidada ocorre com maior frequência entre pessoas com fatores metabólicos, como hipertensão e colesterol elevado. A dificuldade de ver claramente reduz o estímulo para atividades cognitivas, como leitura, jogos e convívio social, ações que ajudam na prevenção da degeneração cerebral, apontam os estudos.
Como prevenir e reduzir riscos
Especialistas ressaltam a importância de acompanhamento médico contínuo, principalmente no midlife, para controlar fatores como colesterol e pressão arterial por meio de medicação, dieta equilibrada e exercício físico. O neurologista Dr. Arman Fesharaki-Zadeh explica que a colaboração entre médicos de diferentes especialidades é fundamental para uma abordagem preventiva eficaz.
Contar com uma equipe médica que compreenda o perfil de saúde do paciente permite ações proativas, incluindo testes para detectar sinais precoces de neuro degeneração e marcadores genéticos. Segundo Fesharaki-Zadeh, até 40% dos casos de demência podem ser evitados, dependendo de cuidados e mudanças de estilo de vida.
Medidas que podem fazer a diferença
Desde o controle do colesterol e da pressão arterial até a atenção à saúde ocular, ajustes no estilo de vida podem retardar o avanço da doença. Essa atitude deve começar na meia-idade, mas nunca é tarde para adotar hábitos mais saudáveis, garante o especialista.
Perspectivas para o futuro da investigação
Os estudos reforçam que a adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento médico contínuo representam estratégias acessíveis e eficazes para reduzir o impacto da demência na população mundial. Pesquisas futuras prometem aprofundar o entendimento de fatores genéticos e ambientais que influenciam essa condição neurodegenerativa.