Novas descobertas na área de pesquisa sobre demência revelam que fatores como colesterol elevado após os 40 anos e perda de visão não tratada podem aumentar significativamente o risco de desenvolver a doença. As informações foram divulgadas em um relatório publicado na revista The Lancet, no contexto do trabalho da Comissão do mesmo nome. Essas novidades se somam a outros 12 fatores modificáveis já conhecidos, que, juntos, explicam cerca de metade dos casos de demência no mundo.
Fatores de risco modificáveis e novidades na pesquisa
Em 2020, os pesquisadores que assinam o relatório já haviam identificado 12 fatores que elevam o risco de demência, incluindo sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, poluição do ar, traumats cranianos, isolamento social, baixa escolaridade, obesidade, hipertensão, diabetes, depressão e deficiência auditiva. Agora, a análise de meta-analises sobre perda de visão e níveis elevados de colesterol revelou que esses dois fatores, isoladamente, podem responder por uma parte relevantes dos casos de demência ao redor do globo.
Por que colesterol alto e perda de visão influenciam a demência
Segundo o neurologista comportamental Arman Fesharaki-Zadeh, da Yale Medicine, a ligação entre esses fatores e a demência é bastante lógica. “O colesterol ruim, especialmente o LDL, pode contribuir para o endurecimento dos vasos sanguíneos no cérebro, dificultando o transporte de oxigênio e nutrientes,” afirmou. Ele explica que a perda de visão, comum em pessoas com fatores metabólicos como hipertensão, diabetes mal controlada e colesterol alto, tende a reduzir atividades que estimulam o cérebro, como leitura, quebra-cabeças ou convívio social, prejudicando a preservação cognitiva.
Impacto na saúde vascular e prevenção da demência
O acúmulo de gordura nas artérias, causado pelo colesterol alto, dificulta a circulação do sangue e prejudica a saúde neurológica ao promover a morte de neurônios ao longo do tempo. “O que afeta o coração, afeta o cérebro”, reforça Fesharaki-Zadeh, destacando a conexão direta entre saúde vascular e risco de demência.
Cuidados e ações preventivas
A recomendação principal para reduzir o risco é contar com uma equipe médica colaborativa, incluindo clínicos gerais e especialistas como cardiologistas e neurologistas. Fesharaki-Zadeh destaca a importância de controlar fatores de risco por meio de medicação, dieta equilibrada e prática regular de exercícios, preferencialmente já na meia-idade, antes do aparecimento de sinais de demência.
Além disso, existem testes capazes de detectar sinais precoces de neurodegeneração e marcadores genéticos. Segundo o especialista, aproximadamente 40% dos casos de demência podem ser evitados se forem adotadas medidas preventivas a tempo. Mesmo para quem já foi diagnosticado com comprometimento cognitivo leve ou demência, o controle desses fatores pode retardar a progressão da doença.
Perspectivas futuras na luta contra a demência
Fesharaki-Zadeh reforça que nunca é tarde para promover mudanças no estilo de vida e que o cérebro possui alta plasticidade, podendo responder positivamente às intervenções. Como afirma, “se você decidir adotar hábitos mais saudáveis em qualquer fase da vida, seu cérebro se beneficiará.” A pesquisa contínua oferece esperança de que, futuramente, novos fatores de risco possam ser identificados e estratégias ainda mais eficazes de prevenção sejam implementadas.