No último dia 17 de setembro, uma delegação de doze mulheres ucranianas teve a oportunidade de se encontrar com o Papa Leão XIV, durante uma audiência na Praça de São Pedro. Essas mulheres, muitas delas mães de soldados desaparecidos, representam organizações não governamentais que atuam em apoio a famílias que perderam contato com seus entes queridos em meio ao conflito armado na Ucrânia. Ao expressar suas esperanças, elas demonstraram a força e a resiliência diante da dor da separação.
Histórias de esperança e luta
Uma das participantes do encontro, Maria, é mãe de Hryhoriy, um médico militar que desapareceu durante os combates em abril de 2022. Ela faz parte da ONG “Médicos Militares”, que busca apoiar famílias de profissionais de saúde que se encontram desaparecidos ou capturados. “Procuro ele todos os dias e espero encontrá-lo um dia”, disse Maria, que descreve a experiência de ver o Papa como uma oportunidade única de expressar suas esperanças. “Viemos aqui com grande esperança de que Deus nos ouvirá”, complementou.
Com o apoio de sua organização, muitas mães como Maria têm trabalhado incansavelmente para trazer de volta médicos prisioneiros e coletar informações sobre os desaparecidos. “Os médicos não são combatentes. Eles tentam salvar vidas, mas muitos acabam perdendo a deles na linha de frente”, explicou Maria, ressaltando ainda que o número de médicos mortos já ultrapassa 500, segundo o Ministério da Saúde da Ucrânia.
Prisioneiros de guerra e a busca pela justiça
Lilia, outra mãe presente na audiência, representa a associação “Condenados, mas não esquecidos” e é mãe de Volodymyr, um fuzileiro naval que foi feito prisioneiro em abril de 2022 durante a batalha em Mariupol. Ela destacou a situação crítica dos prisioneiros de guerra e as violações do direito internacional que muitos enfrentam. “Aguardamos cheios de esperança. É por isso que viemos até o Papa. Temos a esperança de que Deus nos ouça e que nossos filhos voltem para casa”, compartilhou Lilia.
As mães, avós e esposas que formam essa delegação não estão apenas lutando por suas famílias, mas também por todos os ucranianos que enfrentam a dor e o sofrimento causados pelo conflito. “Não somos apenas números em uma estatística. É nosso dever levar esse problema à atenção do mundo”, enfatizou.
Resiliência e apoio mútuo
Olena, que também esteve presente, compartilhou a experiência traumática que viveu. Seu marido foi libertado do cativeiro há um ano, mas ela se dedica a ajudar outras famílias que ainda esperam por notícias de seus entes queridos. Através da Associação de Organizações Civis “Adamant”, ela se comprometeu a apoiar aqueles que estão passando por experiências semelhantes. “Quando trouxe meu marido para casa, prometi às outras famílias que não as abandonaria”, disse Olena, demonstrando compromisso e empatia.
Ela relatou como muitos retornos do cativeiro são dolorosos, com os prisioneiros apresentando graves problemas de saúde física e mental. “Quando meu marido voltou, eu nem o reconheci. Ele pesava quase 40 quilos a menos do que antes”, lembrou Olena. A realidade desses homens é tão difícil que a associação busca fornecer o apoio necessário para sua reintegração à sociedade.
Essas histórias de mulheres ucranianas que se reúnem em busca de um futuro melhor mostram não apenas a tragédia do conflito, mas também a força das relações humanas e a esperança que se perpetua mesmo nas lutas mais difíceis. O encontro com o Papa foi um momento de reflexão e renovação de fé que reforçou a determinação dessas mulheres em buscar respostas e, acima de tudo, justiça.
Com o apoio da comunidade e a frente unida por um propósito comum, essas mulheres continuam a lutar por justiça e pela paz na Ucrânia, sonhando com o dia em que todos os seus entes queridos voltarão para casa.
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