A deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP), atualmente detida na Itália, fez uma videoconferência para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (24), revelando seus desafios com a língua portuguesa e algumas dificuldades enfrentadas em sua rotina na prisão. Durante sua fala, Zambelli destacou que a falta de conversação em português a tem levado a esquecer alguns termos, o que torna a comunicação um pouco mais complicada.
Dificuldades de comunicação e cotidiano na prisão
Durante o interrogatório do relator Diego Garcia (Republicanos-PR), a deputada expressou sua preocupação em se comunicar adequadamente após um longo período sem falar sua língua nativa. "Estou muito tempo sem falar português porque não tenho ninguém aqui para falar e tem termos que não lembro", afirmou, assegurando que acredita que seus colegas de partido poderão defendê-la no Brasil.
A deputada comentou também sobre sua vida diária na prisão. Recentemente, ela foi transferida para uma cela com mais liberdade de movimento, o que lhe permite interagir mais com os outros detentos. "Essa semana acabei de mudar de cela. A porta fica meio aberta e dá para conversar com outras pessoas", disse, ressaltando que está frequentando aulas de italiano como forma de se adaptar ao novo ambiente. "Estou fazendo aulas de alfabetização em italiano, para melhorar meu italiano", completou.
Cuidado com a saúde e acusações contra Alexandre de Moraes
Ao relatar sua condição de saúde, Zambelli mencionou estar enfrentando uma crise severa de fibromialgia, ressaltando que na prisão só têm acesso a ibuprofeno, uma medicação que não atende às suas necessidades. "Eu usava morfina no Brasil. As pessoas que conheciam a Carla que andava e era ativa... Aqui pareço uma velha", desabafou, indicando o impacto emocional e físico de sua situação.
A parlamentar também não hesitou em criticar o ministro Alexandre de Moraes, que foi o responsável pelo processo que resultou em sua condenação no Supremo Tribunal Federal (STF). “Eu não estou foragida, estou exilada. Estou em prisão administrativa, não por um crime que cometi aqui na Itália”, declarou, afirmando que as autoridades italianas tratam o mandado de prisão assinado por Moraes como uma “broma”.
Memória e desdobramentos da prisão
Quando indagada sobre um relatório da Polícia Federal, Zambelli admitiu não ter informações atualizadas, dizendo que sua memória não alcança os detalhes devido ao tempo em que está presa. “Como estou aqui na prisão há 56 dias, minha memória não alcança. Teria que perguntar ao advogado”, disse.
O depoimento de Zambelli foi parte de um processo antes da apresentação de parecer que será votado na comissão e posteriormente deve ser levado ao plenário da Câmara. Ela foi condenada por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e tentativas de adulteração de documentos oficiais. Desde então, está afastada de sua função, com uma licença de 127 dias que foi aprovada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Sua vaga está sendo ocupada por Coronel Tadeu (PL-SP).
A decisão final sobre a possibilidade de cassação de seu mandato ficará a cargo do plenário da Câmara, que exigirá maioria absoluta dos votos para uma eventual confirmação.
Com a situação em andamento e eventos se desenrolando rapidamente, a expectativa é que os desdobramentos do caso de Carla Zambelli continuem gerando repercussões tanto na política brasileira quanto nas relações internacionais, conforme ela luta para retomar sua liberdade.