Em uma coletiva de imprensa amplamente criticada em 22 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disseminou informações falsas e sem respaldo científico, afetando a credibilidade dos profissionais de saúde. Sua fala incluiu alegações sobre autismo, vacinação infantil e medicamentos, gerando preocupação entre médicos, pesquisadores e famílias.
Discurso irresponsável sobre autismo e medicamentos na gravidez
Trump afirmou que o uso de paracetamol durante a gestação estaria ligado ao aumento de casos de autismo, uma afirmação contestada pela comunidade científica. Estudos, como o publicado na Suécia no ano passado, não mostram relação causal clara entre o medicamento e o transtorno neurodesenvolvimental. Além disso, o presidente chegou a afirmar que autismo não existe entre os Amish e que Cuba não tem acesso ao paracetamol, afirmações falsas e sem fundamentos.
As recomendações equivocadas sobre vacinas
O chefe do Executivo incentivou os pais a abandonarem o esquema vacinal recomendado pelos CDC, incluindo a ideia de “espaciar” as doses. Ele também sugeriu dividir a vacina tríplice viral — o que é impossível nos Estados Unidos, pois não há versões monodose disponíveis. Além disso, pediu que o hepatite B fosse aplicada somente a partir dos 12 anos, uma orientação equivocada, uma vez que o vírus pode ser transmitido ao nascimento.
Risco à saúde pública e à confiança médica
Especialistas alertam que recomendações sem respaldo científico colocam a imunização em risco e alimentam desinformação. “O que o presidente fez foi trocar a incerteza por espetáculo, deixando famílias e profissionais sem norte”, comenta a médica e pesquisadora Dra. Carla Mendes, especialista em saúde pública.
Ciência e percepções sobre o uso de paracetamol na gestação
Sobre a relação entre paracetamol e autismo, a evidência científica é ambígua. Pesquisas mostram associações fracas e até ausência de correlação, dependendo do estudo. Uma análise recente de quase 2,5 milhões de crianças na Suécia, por exemplo, não encontrou vínculo entre uso de paracetamol na gravidez e autismo. Algumas pesquisas até sugerem que uso de curta duração poderia estar associado a menor risco, o que reforça a complexidade do tema.
As organizações profissionais continuam recomendando o uso de paracetamol quando necessário, pois os riscos de febre e dor na gestação superam qualquer preocupação infundada com autismo. “Ignorar essa nuance é desinformar e prejudicar as mães, que já lidam com o peso das dúvidas e do estigma”, explica a obstetra Claudia Pereira.
Consequências e próximos passos
Especialistas destacam que mensagens como as do presidente podem levar a uma baixa na confiança na comunidade médica e a escolhas de saúde potencialmente perigosas. A Associação Americana de Obstetrícia reforça a importância de decisões baseadas em evidências, para garantir o bem-estar de gestantes e bebês.