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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Política

Conselho de ética da câmara processa Eduardo Bolsonaro por quebra de decoro

<p> Eduardo Bolsonaro enfrenta processo por quebra de decoro parlamentar; PT pede a perda de mandato por discursos contra instituições.</p>

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O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados anunciou, nesta terça-feira (23), a abertura de um processo contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A representação foi apresentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que argumenta que Eduardo vem utilizando sua permanência nos Estados Unidos para "difamar de forma reiterada instituições do Estado brasileiro", o que configura uma clara quebra de decoro parlamentar.

A representação do PT e suas alegações

A decisão de instaurar o processo foi informada pelo presidente do conselho, deputado Fabio Schiochet (União Brasil-SC). Agora, inicia-se um prazo de 90 dias para que o colegiado conclua a avaliação da denúncia. Na representação, o PT destaca que o deputado tem atacado, com "especial virulência", o Supremo Tribunal Federal (STF) e seus ministros, a quem se referiu publicamente com termos como "milicianos togados" e "ditadores".

Um dos momentos mais controversos levantados pelo PT foi uma recente entrevista dada por Eduardo Bolsonaro à CNN Brasil, onde declarou que “sem anistia para Jair Bolsonaro, não haverá eleições em 2026”. Para o partido, essa atitude representa uma grave ameaça à ordem constitucional e ao processo eleitoral, que é considerado o "núcleo duro da soberania popular".

Conseqüências e outros processos

"A imunidade parlamentar não é um salvo-conduto para a prática de atos atentatórios à ordem institucional", enfatiza a representação do PT. Além disso, a documentação ressalta que a licença de 120 dias requisitada pelo deputado em março expirou em 20 de julho, sem que ele retornasse ao Brasil ou pedisse prorrogação, caracterizando um descumprimento intencional das normas regimentais.

O PT declara que é dever de todo parlamentar zelar pela honra do mandato e cumprir rigorosamente os limites de sua atuação. Assim, a permanência de Eduardo no exterior, combinada com seus ataques às instituições nacionais, é vista como uma grave ofensa ao decoro e à integridade da representação popular. Vale lembrar que outras três representações contra o deputado já tramitem no Conselho de Ética, duas feitas pelo PT e uma pelo PSOL.

Processos em conjunto

Fabio Schiochet também mencionou que solicitou à Mesa Diretora da Câmara que as três representações sejam apensadas, ou seja, que tramitem juntas. Essa solicitação foi feita no dia 9 de setembro, mas não há prazo estabelecido para que a Mesa responda. Schiochet argumenta que isso é necessário para evitar diferentes posicionamentos sobre casos semelhantes, já que poderiam surgir pedidos de arquivamento, cassação ou suspensão.

“Pedi para apensar porque das quatro representações, três são correlatas. Nós não podemos ter um relator pedindo arquivamento e outro pedindo ao mesmo tempo a cassação. Não há prazo regulamentar para que a Mesa se manifeste sobre a apensação. Contudo, acredito que nos próximos dias ou na próxima semana o presidente da Câmara, Hugo Motta, deve decidir sobre o processo”, declarou Schiochet.

Liderança e ausência no Brasil

Durante esta terça-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também negou a indicação de Eduardo Bolsonaro para a liderança da minoria na Casa. Essa indicação, feita pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), foi justificada pela liberação de líderes partidários de registrar a presença em plenário devido a um ato da Mesa Diretora oriundo da gestão de Eduardo Cunha (MDB-RJ).

Motta declarou que a decisão foi "estritamente técnica". Ele explicou que, após ouvir a secretaria-geral da Mesa Diretora, ficou claro que não há possibilidade de exercício de mandato parlamentar enquanto o deputado estiver fora do Brasil. A ausência não comunicada à presidência é considerada uma violação ao dever funcional do parlamentar.

Vale ressaltar que a licença de 120 dias solicitada por Eduardo Bolsonaro terminou em 21 de julho, e, desde então, o parlamentar acumula faltas não justificadas nas sessões. A Constituição prevê a cassação para deputados que faltarem a um terço das sessões ordinárias, exceto em casos de licença validada ou missões autorizadas.

Implicações legais e políticas

Com esta situação, a presença e a atuação de Eduardo Bolsonaro no cenário federal geram um intenso debate sobre limites e responsabilidades dos parlamentares. A condução desse caso pelo Conselho de Ética pode ter consequências significativas não apenas para Eduardo, mas também para a imagem do Legislativo brasileiro. Os desdobramentos das investigações e a atitude do próprio deputado em relação às acusações poderão impactar a sua trajetória política e a confiança do público nas instituições.

Diante do cenário atual, a sociedade civil e analistas políticos aguardam os próximos passos do Conselho de Ética e da Mesa Diretora, ao mesmo tempo que as repercussões nas redes sociais e na mídia já se fazem sentir, refletindo a importância das decisões que serão tomadas nos próximos dias.

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