A suspensão do programa Jimmy Kimmel Live! é vista por especialistas como parte de uma campanha mais ampla do governo Trump para silenciar opositores e críticos na mídia, enquanto autoridades aumentam sua fiscalização sobre corporações midiáticas.
A resposta oficial e o contexto da censura
A decisão de cancelar o programa aconteceu horas após o presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Carr, ameaçar ações regulatórias contra a ABC devido aos comentários de Kimmel sobre o tiroteio fatal de Charlie Kirk. “Eles têm uma licença concedida por nós na FCC, que implica na obrigação de atuar no interesse público”, declarou Carr.
Para especialistas, a suspensão indefinida — que só pode ser revertida mediante doação pessoal e pedido de desculpas públicos aos Kirk e ao Turning Point USA — demonstra um padrão crescente de intimidação por parte do governo, levando muitos líderes de mídia a se renderem às pressões.
Perseguição a jornalistas e atores políticos
A professora Amy Kristin Sanders, da Pennsylvania State University, comenta que “agora decisões estão sendo tomadas mais por interesses comerciais do que por valores jornalísticos ou pela preservação da democracia.” Ela acrescenta que essa tendência compromete a liberdade de imprensa e a saúde do debate público.
Heidi Kitrosser, especialista na Northwestern Law, aponta que a ação de Trump faz parte de uma “campanha mais ampla de pressão contra figuras que se opõem ao Presidente publicamente”.
Histórico de ações legais e censura na mídia
No fim do ano passado, a ABC resolveu encerrar um processo de difamação movido por Trump, que contestava uma declaração do âncora George Stephanopoulos. O grupo Paramount, responsável pela CBS, foi também para a Justiça devido a uma edição questionada em entrevista ao 60 Minutes. Em julho, a CBS anunciou a cancelamento do programa The Late Show with Stephen Colbert, evento considerado por muitos como motivado politicamente, coincidente com a aprovação de uma fusão entre Skydance e Paramount pelo FCC.
Segundo fontes, os movimentos de cancelamento e censura têm sido acompanhados de ações de aliados de Trump. A Nexstar Media Group, proprietária das afiliadas da ABC, anunciou que vai pré-empatar o Kimmel, enquanto busca aproves para uma fusão avaliada em US$6,2 bilhões com a Tegna. A FCC precisa aprovar ambas as operações.
Reação de Trump e o impacto na mídia
O ex-presidente Donald Trump celebrou a decisão na rede social Truth Social, dizendo que ABC agiu “com coragem” e criticando o programa de Kimmel. “Esse comediante fez comentários horríveis sobre um grande senhor”, afirmou Trump, atribuindo a sua saída às “más audiências”.
A reportagem da TIME entrou em contato com a FCC. A Casa Branca, por sua vez, respondeu através de Taylor Budowich, assessor-chefe de imprensa do escritório do vice-presidente. “Piadas ruins e TV ruim prejudicam os negócios. A ABC não está mais paralisada pelo medo da “indústria woke”, declarou Budowich na rede X, reforçando a narrativa de perseguição política.
Perspectivas futuras e consequências
Especialistas alertam que essa série de ações orchestradas por Trump e seu governo representa uma ameaça séria à liberdade de expressão e ao funcionamento plural da imprensa. A continuidade dessas ações pode limitar a diversidade de opiniões e fortalecer uma narrativa autoritária, colocando em xeque o papel da mídia independente no Brasil e no mundo.