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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Política

Kamala Harris critica decisão de Biden de disputar reeleição em 2024

<p> Na obra '107 Dias', vice-presidência revela preocupações sobre a inexperiência de Biden e sua própria percepção de negligência na campanha</p>

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No seu livro '107 Dias', a vice-presidente Kamala Harris revela que considerou a decisão de Joe Biden de concorrer à reeleição em 2024 como uma "impulsividade" diante dos riscos elevados, especialmente considerando a idade avançada do presidente. Harris afirma que, apesar de não achar Biden fisicamente ou mentalmente incapaz, ela viu sinais de cansaço e fragilidade, que se tornaram evidentes após alguns episódios públicos e debates acalorados contra Donald Trump.

Críticas à decisão de Biden de concorrer novamente

Segundo Harris, o esforço de Biden para lançar-se na disputa foi classificado como "recklessness" — imprudência — por ela e por aliados próximos. Em trecho obtido pela The Atlantic, ela admite que talvez devesse ter conversado com Biden sobre a possibilidade de desistir, mas acredita que isso teria soado como uma tentativa de "discurso de vaidade" ou "disloyalty" diante de uma decisão que ele considerava pessoal.

"A responsabilidade de tomar essa decisão nunca deveria estar apenas na pessoa, ela deveria envolver mais julgamento coletivo", afirmou Harris. Ela também ressaltou que a decisão de Biden foi vista como uma escolha dele e de Jill Biden, e que, na época, ela compreendia essa postura, embora agora a considere precipitada.

Ligações entre saúde, idade e desempenho

Harris reconhece que a idade de Biden, 81 anos, passou a afetar sua performance, evidenciada por tropeços e cansaço nas aparições públicas. Ela pontua que, mesmo em seu pior momento, Biden continuava superior a Donald Trump em conhecimento e empatia, mas que a fadiga dele se tornou mais visível após viagens e compromissos de alto nível.

"Se eu acreditasse que Biden não poderia ser presidente, teria dito. Minha lealdade é ao país, primeiro", destacou Harris.

Desafios internos e ataques externos

A vice-presidente também descreve dificuldades enfrentadas dentro da administração, incluindo ataques de veículos de comunicação como Fox News, que criticaram seu sorriso e a rotularam como uma contratação de diversidade e inclusão ("DEI hire"). Ela relata que a equipe de Biden raramente apoiava publicamente suas ações, e, muitas vezes, alimentava narrativas negativas — tudo isso, ela acredita, para evitar que ela conquistasse destaque ou desviasse atenção do presidente.

"A lógica era zero-sum: Se eu brilhava, Biden parecia menor. Não perceberam que meu sucesso refletia positivamente nele", afirmou Harris, ressaltando que seu desempenho era vital para reforçar a confiança na liderança de Biden, especialmente diante das preocupações com sua idade.

Relevância para o futuro político

A publicação do livro coincide com um momento de grande expectativa e incerteza na política americana, uma vez que Biden anunciou sua candidatura para a reeleição, e Harris se posiciona como possível candidata no futuro. Até o momento, representantes de Biden não se pronunciaram oficialmente sobre as críticas feitas por Harris.

O lançamento de '107 Dias' está previsto para 23 de setembro, trazendo uma visão inédita sobre o período eleitoral e os bastidores da Casa Branca durante uma das fases mais turbulentas da política americana recente.

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