Mais de uma dezena de estudantes de escolas públicas dos Estados Unidos testemunharam sobre ações discriminatórias relacionadas à sua fé em uma audiência promovida pela Religious Liberty Commission, criada pelo presidente Donald Trump. A sessão ocorreu no dia 8 de setembro em Washington e foi a segunda reunião do grupo desde sua criação no início deste ano.
Relatos de discriminação e defesa da liberdade religiosa
Hannah Allen, ex-aluna do ensino fundamental, relatou que, em 2019, a direção da escola impediu que ela e colegas orassem por um colega ferido, autorizando apenas orações ocultas. “Eles violaram nosso direito de exercer nossa religião”, afirmou.
Justin Aguilar, que recentemente se formou no ensino médio, revelou que, ao entregar seu discurso de formatura, uma referência a Jesus Cristo foi apagada pelos funcionários escolares. Com apoio jurídico do Liberty Counsel, conseguiu expressar sua fé na cerimônia e afirmou: “Quando citei Jesus, a audiência reagiu com entusiasmo, e foi um momento de grande alegria para mim”.
Outra estudante, Lydia Booth, de Mississippi, recordou a batalha judicial travada após ter sido impedida de usar máscara com as palavras “Jesus Loves Me” durante as aulas presenciais do ensino fundamental após a pandemia de Covid-19. “Essas palavras me lembraram que eu não estava sozinha”, disse. Sua família obteve apoio legal para garantir o direito de ela usar a máscara novamente.
Preocupações com imposições de valores em escolas públicas
Durante a audiência, também foi discutido o debate sobre a imposição de conteúdos que conflitam com valores religiosos dos pais, como o caso recente no tribunal superior americano, que determinou que escolas podem oferecer opções de opt-out para currículos com ideologia de gênero.
Sameerah Munshi, participante da comissão, afirmou que a resistência de alguns pais, incluindo muçulmanos, cristãos e judeus, não visa impor suas crenças, mas defender o direito de discordar e de não ter seus valores desconsiderados. “O que aconteceu em Montgomery County foi uma recusa em permitir que os pais optem por não participar de matérias que contradizem suas crenças”, destacou ela.
O presidente Donald Trump criticou a educação pública por supostos ataques à liberdade religiosa, prometendo desenvolver novas orientações pelo Departamento de Educação para garantir o direito de orar em ambientes escolares. Ele também anunciou a iniciativa “America Prays”, em preparação para o 250º aniversário da assinatura da Declaração de Independência, encorajando a oração nacional.
Coalizão de figuras religiosas e civis na comissão
Além de Cardinal Timothy Dolan, arcebispo de Nova York, que participou pela primeira vez nesta audiência após falta na primeira reunião, integrantes da comissão incluem o bispo de Winona-Rochester, Minnesota, Robert Barron; a pastora Paula White; o evangelista Franklin Graham; o psicólogo e apresentador de TV, Phil McGraw; e o neurocirurgião Ben Carson.
Priorizando o direito à expressão religiosa dos estudantes
Vários estudantes relataram ações contra suas expressões religiosas na escola. Hannah Allen destacou que foi impedida de orar publicamente e só conseguiu após apoio jurídico. Justin Aguilar, por sua vez, contou que teve seu discurso de formatura censurado por referências religiosas, mas conseguiu finalizá-lo com a citação de Jesus, recebendo forte apoio da plateia.
Outro exemplo foi Lydia Booth, de Mississippi, que enfrentou a remoção de sua máscara com as palavras “Jesus Loves Me”, mas obteve uma resolução favorável após uma batalha judicial. “Sei que minha voz foi importante”, afirmou ela, destacando a importância do ativismo juvenil para defender valores de fé.
Imposição de valores e o papel do Estado na educação
O debate sobre a resistência de escolas públicas em permitir que pais tenham opt-out de temas controversos também foi enfatizado. Sameerah Munshi comentou que a oposição não é uma tentativa de impor valores, mas de garantir o direito à liberdade de opinião e à dissidência.
O presidente Trump reforçou sua crítica às políticas educacionais atuais, alegando que estudantes são hoje frequentemente submetidos à “propaganda anti-religiosa” e punidos por praticar sua fé abertamente. Ele anunciou que o Departamento de Educação irá criar novas diretrizes para proteger o direito de oração nas escolas públicas.
Esses testemunhos e debates evidenciam uma crescente preocupação de setores conservadores com a influência da ideologia de gênero e a restrição à expressão religiosa em escolas públicas nos Estados Unidos.
Fonte: Catholic News Agency