Em meio a protestos armados e confrontos mortais, o primeiro-ministro do Nepal, Sharma Oli, renunciou nesta terça-feira (9), após uma onda de manifestações que deixou pelo menos 22 mortos no país. O levante, liderado por jovens da geração Z, acuou os poderes do Nepal numa crise sem precedentes.
Violência e queima de instituições públicas desencadeiam crise política
Na segunda-feira (8), as tensões atingiram o auge quando manifestantes invadiram o parlamento de Kathmandu, incendiaram o prédio e atacaram as residências de políticos de alto escalão. Durante os confrontos, pelo menos 19 pessoas foram mortas por forças policiais que utilizavam balas de borracha e gás de pimenta para dispersar o movimento — uma resposta que intensificou a tragédia.
Imagens de vídeo mostram jovens, inclusive em uniformes escolares, sofrendo ferimentos graves na cabeça ao perceberem o avanço das manifestações. Além da violência, uma bloqueio de 26 plataformas de redes sociais pelo governo gerou ainda mais insatisfação, agravando o clima de crise.
Rejeição à corrupção alimenta o levante dos jovens nepaleses
Dados do Grupo de Monitoramento da Corrupção, Transparência Internacional, indicam que 84% da população acredita que a corrupção é um problema grave no Nepal, refletindo o desencanto com as autoridades. A pressão social levou a fortes manifestações contra o governo, que há anos enfrenta críticas por sua suposta má gestão e escândalos envolvendo desvios de dinheiro público.
Renúncia e impacto político no país
Após os acontecimentos violentos, Sharma Oli declarou em carta ao presidente Ramchandra Paudel que renunciaria "para facilitar a resolução do problema e reestabelecer a estabilidade política". Essa saída ocorre no contexto de um turbilhão político, com o risco de uma crise institucional prolongada.
Perspectivas futuras e o papel dos jovens no Nepal
Analistas apontam que a mobilização dos jovens nepaleses, principalmente da geração Z, representa uma nova fase na luta contra a corrupção. A expectativa é que o país enfrente uma fase de ajustes políticos, enquanto manifestações continuam pelo fim das práticas corruptas e por maior transparência na gestão pública.