Ir para o conteúdo

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

Política

Pete Hegseth declara ter autoridade absoluta para atacar navio suspeito de tráfico de drogas

<p> Comentário sem base legal claro gera preocupações e críticas de políticos, enquanto o Pentágono mantém postura contundente.</p>

Compartilhe
WhatsApp

O secretário de defesa Pete Hegseth afirmou que o Pentágono possui “autoridade absoluta e completa” para bombardear um suposto navio venezuelano de drogas, sem citar base legal para tal ação. A declaração ocorreu após o ataque ordenado pelo ex-presidente Donald Trump, que resultou na morte de 11 pessoas, reforçando tensões em torno do uso da força militar contra suspeitos de tráfico internacional.

Falta de respaldo legal na afirmação de Hegseth

Durante entrevista na quinta-feira, um repórter questionou Hegseth sobre a fundamentação jurídica do ataque ao navio. Ele respondeu que o Pentágono tinha autoridade total, mas não apresentou qualquer lei, norma ou mecanismo autorizador. “Primeiro, apenas a defesa do povo americano. Centenas de milhares de americanos morrem anualmente por causa do tráfico devido à fronteira aberta. Nós atacamos o navio de drogas e acabamos com 11 narcotraficantes no fundo do oceano”, declarou Hegseth.

Reação de políticos e críticas ao uso de força

A ação gerou críticas até mesmo dentro do espectro republicano. O senador Rand Paul (R-Ky.), presidente da Comissão de Segurança Interna, alertou que a medida pode criar um precedente perigoso. “Embora seja difícil ter simpatia por traficantes, até onde isso vai? Estamos agindo como se fôssemos os policiais do mundo?”, questionou Paul, em entrevista ao Newsmax.

Precedente e preocupações globais

O Senador afirmou ainda que, se o navio estivesse perto de Miami e os suspeitos não disparassem contra as forças americanas, eles deveriam ser apreendidos e levados à Justiça, não atacados. "Confiscados e presos, essa é a autoridade que deveria valer", completou Paul. A ação, além de gerar debates jurídicos, reacende o debate sobre os limites do poder militar extraterritorial.

Contexto e impactos da operação

Ex-presidente Trump anunciou oficialmente que ordenou o ataque, alegando que os alvos eram integrantes do cartel de drogas venezuelano Tren de Aragua, designado como organização terrorista estrangeira pelo Departamento de Estado, em fevereiro deste ano. A operação revelou-se polêmica, com críticas de vários setores, inclusive de colegas republicanos.

O episódio levanta questões sobre os limites legais e éticos da força militar americana em operações internacionais, especialmente na ausência de uma autorização explícita do Congresso. Especialistas alertam para o risco de escalada e do estabelecimento de um precedente perigoso para futuras ações militares.

Leia também