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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Política

Julgamento de Jair Bolsonaro e o desdobramento da trama golpista

<p> O julgamento da ação penal contra Jair Bolsonaro será retomado, encerrando uma investigação que começou em dezembro de 2023.</p>

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O Brasil se prepara para um dos julgamentos mais aguardados da sua história recente. Nesta terça-feira, será retomado o julgamento da ação penal que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como réu. Este caso, que desencadeou uma série de investigações e operações da Polícia Federal (PF), destaca-se como uma das mais pesadas acusações contra um ex-mandatário do país, envolvendo alegações de crime organizado e tentativas de golpe de Estado.

A trama golpista e suas consequências

Bolsonaro é acusado de “liderar” uma organização criminosa que almejava implementar um “projeto autoritário de poder”, visando a abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncias robustas, que incluem cinco crimes: organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado democrático; golpe de Estado; dano qualificado à União e deterioração de patrimônio tombado.

Os advogados de Bolsonaro defendem sua inocência, alegando que ele não participou de qualquer tentativa de ruptura democrática. Durante seu depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF) em junho, o ex-presidente admitiu ter discutido “alternativas” para contornar sua derrota nas eleições de 2022, mas negou qualquer intenção golpista, argumentando que suas propostas não tiveram espaço para se concretizar.

Cronologia da investigação

O processo que levaria ao julgamento atual teve início em dezembro de 2023, quando a investigação foi aberta no STF. Desde então, o caso passou por diversos desdobramentos importantes e operações realizadas pela PF. A seguir está o passo a passo dessa tramitação:

Dezembro de 2023 — Abertura da investigação

Em 18 de dezembro, a investigação foi oficialmente iniciada no STF, após um pedido da Polícia Federal, baseado em provas provenientes de outras apurações e da delação premiada de Mauro Cid. Alexandre de Moraes foi designado como relator devido à sua responsabilidade anterior em inquéritos relacionados a milícias digitais.

Fevereiro de 2024 — Primeira operação

Em 9 de fevereiro de 2024, a operação Tempus Veritatis foi realizada pela PF, resultando na prisão de quatro pessoas, incluindo Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, e restrições para o ex-presidente, que teve seu passaporte apreendido e está proibido de deixar o país.

Novembro de 2024 — Nova operação e relatório final

19 de novembro de 2024 marcou outra operação da PF, desta vez vinculada a um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades. A investigação culminou na acusação de 37 indivíduos, incluindo Bolsonaro e quatro de seus ex-ministros.

Dezembro de 2024 — Prisão de Walter Braga Netto

No dia 14 de dezembro, o ex-ministro Walter Braga Netto foi preso sob alegações de tentativa de obstruir a investigação de Mauro Cid e de financiar planos de assassinato de autoridades.

Fevereiro de 2025 — Denúncia formal

Após meses de análise, a PGR formalizou acusações contestando Bolsonaro e outros 33 indivíduos, agrupando-os em cinco núcleos para facilitar a tramitação no STF. Bolsonaro foi inserido no “núcleo crucial” da organização criminosa.

Março de 2025 — Recebimento da denúncia

A Primeira Turma do STF recebeu a denúncia da PGR, com a inclusão de ex-ministros e outros envolvidos no esquema.

Julho e agosto de 2025 — Alegações finais

Em julho, a PGR pediu a condenação dos réus do núcleo crucial por todos os crimes. As alegações finais dos réus se sucederam ao longo de agosto, culminando na autorização de Moraes para que o caso fosse levado a julgamento.

Expectativas para o julgamento

A expectativa em torno do julgamento é imensa, uma vez que se trata de um caso emblemático que envolve os limites da democracia brasileira e a responsabilidade dos líderes políticos. Com as diversas acusações pesadas, o desfecho deste caso pode ter profundas implicações políticas e sociais no Brasil.

Como essa história se desdobrará, ninguém pode dizer ao certo, mas o Brasil observa atentamente. O julgamento de Jair Bolsonaro não é apenas um evento legal; ele representa um momento crítico na política brasileira e um teste para as instituições democráticas do país.

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