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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Política

Julgamento de Bolsonaro e aliados: caminhos para condenação ou absolvição

<p> O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF pode resultar em penas severas e inelegibilidade.</p>

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O julgamento da trama golpista pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que será retomado nesta terça-feira, deve transcender o simples questionamento sobre a culpabilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus. O que está em jogo são definições que podem afetar severamente os futuros de todos os envolvidos, incluindo a possibilidade de perda de direitos políticos, regimes de cumprimento de pena e a extensão das condenações.

A gravidade das acusações

Bolsonaro é acusado de "liderar" uma organização criminosa que visava estabelecer um "projeto autoritário de poder", resultando em um golpe de Estado. As acusações que pesam sobre o ex-presidente incluem organização criminosa armada, tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

A defesa, por outro lado, afirma que Bolsonaro é inocente e não participou de qualquer tentativa de ruptura democrática. Durante seu interrogatório no STF em junho, o ex-presidente reconheceu ter discutido "alternativas" para a derrota eleitoral de 2022, mas negou qualquer intenção golpista, alegando que não havia "clima" ou "base" para tal ação.

Absolvição ou condenação?

O julgamento não se resume a apenas um veredicto de culpado ou inocente; cada crime será avaliado de forma independente. Isso significa que os ministros do STF podem decidir condenar por algumas infrações e absolver por outras. Thiago Bottino, professor de Direito Processual Penal na Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que isso pode levar a um fenômeno de “absorção” de um crime pelo outro, dependendo das decisões tomadas pelo tribunal.

A defesa argumenta que a tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito e o golpe de Estado são crimes que, por serem semelhantes, poderiam ser tratados como um só, evitando assim uma dupla punição. Essa discussão é crucial, pois afetará diretamente o tamanho da pena, que pode totalizar até 43 anos de prisão, dependendo da condenação.

Minucias do julgamento

A dosimetria da pena — o cálculo do tempo de prisão a ser imposto — é um aspecto que intrigará tanto os juristas quanto a opinião pública. A legislação estabelece que o regime de cumprimento de pena varia de acordo com a extensão da sentença: até quatro anos implica em regime aberto, de quatro a oito anos resulta em regime semiaberto, e penas superiores a oito anos resultam em regime fechado.

Uma eventual condenação que signifique mais de oito anos de prisão abrirá um novo debate sobre a destinação do ex-presidente. Atualmente em prisão domiciliar devido à sua saúde, a defesa poderia argumentar para que essa condição se mantivesse, considerando sua idade e problemas médicos. Além disso, uma nova condenação poderia complicar ainda mais sua inelegibilidade, que já é um ponto delicado após sua condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Consequências da condenação

Condenações adicionais podem levar à inelegibilidade de Bolsonaro por oito anos, conforme a Lei da Ficha Limpa, que prevê que políticos condenados por órgãos colegiados perdem seus direitos políticos. Além disso, caso condenado, ele também perderia o direito ao voto, um ponto que se assemelha à situação enfrentada pelo ex-presidente Lula em 2018.

Essas discussões sobre o destino de Bolsonaro e de seus aliados trazem à luz uma crise institucional que transcende uma simples batalha jurídica. O desfecho deste caso pode moldar ainda mais o futuro político do Brasil, em um momento em que a democracia do país se encontra em um delicado equilíbrio.

À medida que o julgamento avança, a atenção da sociedade brasileira se voltará não apenas para as implicações legais, mas também para o impacto social e político que essas decisões podem trazer.

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